Copa do Brasil: campeões, artilheiros e retrospecto das finais (por mando de campo e resultado do jogo de ida)
A Copa do Brasil é o principal torneio mata-mata do futebol brasileiro e uma das competições mais democráticas do país. Criada em 1989, ela permite que clubes de todas as divisões enfrentem os gigantes nacionais em confrontos eliminatórios. Ao longo de 37 edições, o torneio consagrou campeões tradicionais e também protagonizou algumas das maiores zebras da história do futebol nacional. Este artigo traz um panorama completo sobre a história, formatos e todos os campeões da Copa do Brasil.

Indice
História da Copa do Brasil: criação e evolução do formato
A Copa do Brasil surgiu em 1989 para atender a uma reivindicação das federações estaduais de menor expressão. Com a criação da Copa União em 1987 e a redução do número de participantes no Campeonato Brasileiro, muitos clubes de regiões menos populares perderam a chance de enfrentar os grandes times. A solução foi criar uma copa nacional nos moldes europeus, permitindo que equipes de todos os estados disputassem o torneio.

Na primeira edição, 32 clubes participaram da competição, incluindo campeões e vices estaduais de 1988. O Grêmio se sagrou o primeiro campeão ao vencer o Sport na final disputada em Porto Alegre. O primeiro gol da história do torneio foi marcado por Alcindo Sartori, na vitória do Flamengo por 2 a 0 sobre o Paysandu.
Ao longo dos anos, o número de participantes variou consideravelmente. De 1989 a 1994, foram 32 times. O total saltou para 36 em 1995, 40 em 1996 e chegou a 69 no ano 2000. Entre 2001 e 2012, o formato se estabilizou com 64 equipes. A partir de 2013, o número subiu para 86 ou 87 equipes, o que ampliou o alcance geográfico do torneio. Em 2025, 92 clubes disputaram a competição.
As regras também sofreram mudanças importantes. Nas primeiras fases, o formato atual prevê jogos únicos, com empates decididos nos pênaltis. A partir da terceira fase, os confrontos passam a ser em ida e volta. A partir de 2026, a CBF implementará novas mudanças: o torneio contará com 126 equipes, divididas em nove fases, e a final será decidida em jogo único. Além disso, tanto o campeão quanto o vice-campeão garantirão vaga na Libertadores.
O período sem times da Libertadores e as zebras históricas
Entre 2001 e 2012, os clubes que disputavam a Copa Libertadores da América ficavam de fora da Copa do Brasil no mesmo ano, devido ao conflito de datas entre as competições. Essa regra criou uma situação curiosa: o campeão da Copa do Brasil nunca podia defender seu título na edição seguinte, pois a conquista garantia vaga direta na Libertadores. Foi somente em 2013 que a CBF alterou essa norma, permitindo que os clubes participassem de ambos os torneios simultaneamente.
Esse período sem os grandes favoritos abriu espaço para campanhas memoráveis de equipes de menor expressão. O formato mata-mata, onde um tropeço pode significar eliminação, favoreceu as chamadas zebras. O Criciúma, em 1991, foi o primeiro campeão que não estava na primeira divisão nacional. Comandado por Luiz Felipe Scolari, o time catarinense superou o Grêmio na final utilizando a regra do gol fora de casa.
Em 1999, o Juventude protagonizou outra conquista surpreendente. A equipe de Caxias do Sul aplicou 6 a 0 no Fluminense, eliminou Corinthians e Internacional, e conquistou o título diante do Botafogo com um empate sem gols no Maracanã lotado por mais de 100 mil torcedores. O Santo André repetiu o feito em 2004, calando o Maracanã ao vencer o Flamengo por 2 a 0 na partida decisiva. No ano seguinte, o Paulista de Jundiaí completou a sequência de campeões improváveis ao superar o Fluminense na final.
Além dos campeões, diversas zebras marcaram a história do torneio. O ASA de Arapiraca eliminou o Palmeiras de Marcos, Arce e Alex em 2002. O Baraúnas de Mossoró despachou o Vasco em 2005 com uma vitória por 3 a 0 em São Januário. O Ipatinga chegou às semifinais em 2006, eliminando Botafogo e Santos. Em 2014, o América de Natal goleou o Fluminense por 5 a 2 no Maracanã após perder o jogo de ida por 3 a 0. Mais recentemente, em 2024, o Sousa eliminou o Cruzeiro na primeira fase.
Lista completa de campeões da Copa do Brasil (1989-2025)
O Cruzeiro é o maior vencedor da competição com seis títulos, seguido por Grêmio e Flamengo com cinco cada. Palmeiras e Corinthians somam quatro conquistas cada. Abaixo, a tabela completa com todos os campeões, vice-campeões e artilheiros de cada edição.
| Ano | Campeão | Vice-campeão | Artilheiro(s) |
|---|---|---|---|
| 1989 | Grêmio | Sport | Gerson (Atlético-MG) – 7 gols |
| 1990 | Flamengo | Goiás | Bizu (Náutico) – 7 gols |
| 1991 | Criciúma | Grêmio | Gerson (Atlético-MG) – 6 gols |
| 1992 | Internacional | Fluminense | Gerson (Internacional) – 9 gols |
| 1993 | Cruzeiro | Grêmio | Gilson (Grêmio) – 8 gols |
| 1994 | Grêmio | Ceará | Paulinho McLaren (Internacional) – 6 gols |
| 1995 | Corinthians | Grêmio | Sávio (Flamengo) – 7 gols |
| 1996 | Cruzeiro | Palmeiras | Luizão (Palmeiras) – 8 gols |
| 1997 | Grêmio | Flamengo | Paulo Nunes (Grêmio) – 9 gols |
| 1998 | Palmeiras | Cruzeiro | Romário (Flamengo) – 8 gols |
| 1999 | Juventude | Botafogo | Petkovic (Vitória) / Romário (Flamengo) – 8 gols |
| 2000 | Cruzeiro | São Paulo | Oséas (Cruzeiro) – 10 gols |
| 2001 | Grêmio | Corinthians | Washington (Ponte Preta) – 11 gols |
| 2002 | Corinthians | Brasiliense | Deivid (Corinthians) – 13 gols |
| 2003 | Cruzeiro | Flamengo | Nonato (Bahia) – 9 gols |
| 2004 | Santo André | Flamengo | Alex Alves (Botafogo) / Dauri (15 de Novembro) – 8 gols |
| 2005 | Paulista | Fluminense | Fred (Cruzeiro) – 14 gols |
| 2006 | Flamengo | Vasco | Valdiram (Vasco) – 7 gols |
| 2007 | Fluminense | Figueirense | André Lima (Botafogo) / Denis Marques (Atlético-PR) – 5 gols |
| 2008 | Sport | Corinthians | Edmundo (Vasco) – 8 gols |
| 2009 | Corinthians | Internacional | Taison (Internacional) – 7 gols |
| 2010 | Santos | Vitória | Neymar (Santos) – 11 gols |
| 2011 | Vasco | Coritiba | Alecsandro (Vasco) – 5 gols |
| 2012 | Palmeiras | Coritiba | Luis Fabiano (São Paulo) – 8 gols |
| 2013 | Flamengo | Athletico-PR | Hernane (Flamengo) – 8 gols |
| 2014 | Atlético-MG | Cruzeiro | Gabigol (Santos) – 6 gols |
| 2015 | Palmeiras | Santos | Gabigol (Santos) – 8 gols |
| 2016 | Grêmio | Atlético-MG | Marinho (Vitória) – 6 gols |
| 2017 | Cruzeiro | Flamengo | Léo Gamalho (Goiás) – 5 gols |
| 2018 | Cruzeiro | Corinthians | Gabigol (Santos) – 4 gols |
| 2019 | Athletico-PR | Internacional | Luciano (Fluminense) – 5 gols |
| 2020 | Palmeiras | Grêmio | Brenner (São Paulo) – 6 gols |
| 2021 | Atlético-MG | Athletico-PR | Hulk (Atlético-MG) – 8 gols |
| 2022 | Flamengo | Corinthians | Cano (Fluminense) / Giuliano (Corinthians) – 5 gols |
| 2023 | São Paulo | Flamengo | Pedro (Flamengo) – 5 gols |
| 2024 | Flamengo | Atlético-MG | Yuri Alberto (Corinthians) – 7 gols |
| 2025 | Corinthians | Vasco | Kaio Jorge (Cruzeiro) / Rayan (Vasco) – 5 gols |
A edição de 2025 teve sua final disputada entre Corinthians e Vasco nos dias 17 e 21 de dezembro. O confronto foi inédito na história da competição. Após empate sem gols na Neo Química Arena, o Corinthians venceu o Vasco por 2 a 1 no Maracanã, com gols de Yuri Alberto e Memphis Depay, e conquistou seu quarto título. O clube paulista garantiu vaga direta na fase de grupos da Libertadores 2026, na Supercopa Rei 2026 e uma premiação de R$ 77,1 milhões.

Júlio César Cardoso é brasileiro e reside em Florianópolis. Estudou ciências econômicas na Universidade Federal de Santa Catarina. Atua no ramo de jornalismo esportivo com foco em estatísticas desde 2012, tendo sido o criador do site Futdados.com. Desde 2020, teve passagens por Premier League Brasil, Trivela, Quinto Quarto, Esportelândia entre 2020 e 2024. Colaborou para diversas matérias jornalísticas dos sites GloboEsporte.com, UOL.com.br, ESPN.com.br, Jornal Extra e outros.




