Copa do Mundo mostra que bola parada é tendência para a temporada 2018/19

Toda Copa do Mundo tem várias narrativas rolando ao mesmo tempo, uma das grandes graças dessa competição que concentra os melhores jogadores de futebol do mundo em um só torneio a cada quatro anos. A de 2018 não foi diferente. A principal dessas narrativas é a colocação da bola parada como ainda mais vital para o sucesso de um time.

Foram 169 gols marcados na Copa, pouco abaixo que na Copa do Mundo de 2014 (171) mas muito mais que na Copa de 2010, que teve apenas 145 gols e a de 2006, com 147 gols. De bola parada foram 70 gols, ou seja, quase metade das bolas na rede (41,4% para ser mais exato).

E não pense que isso ficará restrito à Copa. Os treinadores de todo mundo, especialmente os que trabalham no Velho Continente viram o que serve e o que não serve. E o “trenzinho” inglês antes dos escanteios será visto no Campeonato Inglês deste ano, pode ter certeza.

Até porque não dá para ignorar nem os números, nem os gols importantes que surgiram de bola parada.

  • Gol contra de Mandzukic na final da Copa do Mundo: o primeiro dos seis gols da final da Copa entre França e Croácia saiu de um cruzamento de Antoine Griezmann que o atacante Mandzukic desviou para sua própria meta. Foi um dos três gols contra originários de boa parada. O segundo gol da França também entra na conta dos 41, já que foi um pênalti bem batido por Griezmann.
  • Gol de Umtiti na semifinal: França e Bélgica foram as duas melhores seleções da Copa do Mundo e na semifinal o único gol saiu de um escanteio que o zagueiro Umtiti aproveitou para decidir.
  • Gol contra de Fernandinho nas quartas: a Bélgica perdeu por bola parada, mas também ganhou da mesma forma. Logo no começo da partida contra o Brasil o time europeu se beneficiou de um desvio de Fernandinho em escanteio que parou no fundo da rede.
  • Gol de Maguire nas quartas: a Inglaterra merece um tópico à parte, mas nestes pontos vamos apontar o gol de Maguire, que abriu o placar na vitória da Inglaterra contra a Suécia, fazendo o English Team chegar à sua primeira semifinal em 28 anos.

Inglaterra dá aula; Southgate será o professor

O treinador Gareth Southgate conseguiu usar uma arma histórica do futebol inglês, e britânico em geral, e modernizar seu uso. Desde que assumiu a seleção, Southgate não ficou restrito ao futebol, fazendo viagens e tendo encontros com treinadores de outros esportes. Um dos esportes que ele observou in loco foi o basquete e logo o melhor do mundo, o da NBA (liga de basquete norte-americano).

A Inglaterra soube usar como ninguém cada escanteio e falta

No basquete, os treinadores desenham jogadas a todo momento, especialmente após paradas técnicas. No futebol, isso pode ser perfeitamente aplicado para a bola parada. É claro que não dá para fazer os bloqueios que existem no basquete, já que seria apitado como falta, por obstrução. Mas a movimentação das peças e até dificultar a ação do goleiro (que tem a vantagem de poder estender o braço) e de defensores em geral gerando tráfego e colocando corpos entre a bola e esses adversários pode ser replicada.

Na melhor Copa que a Inglaterra fez desde 1990, foram nove gols de bola parada dos 12 marcados, chegando à impressionante marca de 75%.

O segundo gol do zagueiro Stones contra o Panamá é uma aula de estratégia: a falta foi cobrada curta para um jogador que, livre, cruzou para Kane, que também livre cabeceou para o meio onde Sterling podia ter perfeitamente feito o gol. O goleiro panamenho fez bela defesa, mas Stones estava no rebote, pronto para aproveitar. Todos esses jogadores estavam basicamente livres ou em excelentes condições.

A ideia de Southgate de puxar conceitos de outros esportes não é algo inédito, mas o fato dele ter conseguido tamanho sucesso e o fato do holofote ser o maior do esporte (Copa do Mundo), pode incentivar outros treinadores a fazer isso ou então estabelecer conexões com maior frequência. Pep Guardiola do Manchester City, Ernesto Valverde do Barcelona, Jurgen Klopp do Liverpool e Thomas Tuchel do PSG devem puxar essa fila.

Niccolas Paganini, especial para o Futdados