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    Por que a Copa de 1970 é considerada a melhor da história?

    Quando o assunto é Copa do Mundo, discussões não faltam para os fãs do futebol, mas um ponto quase unânime é de que a Copa de 1970, realizada no México, foi a melhor da história. Isso porque, além da alta média de gols (2,97), o torneio teve diversos jogos e lances que ficaram eternizados na história desta competição. Além disso, nesta mesma Copa a seleção brasileira consolidou-se como a maior potência do esporte, conquistando o tricampeonato mundial e ficando com a posse definitiva da Taça Jules Rimet.

    As novidades introduzidas nas regras da competição

    Além dos momentos memoráveis ocorridos na Copa de 1970, o torneio também ficou marcado por algumas inovações inseridas na regra do jogo pela FIFA. A primeira novidade relevante foi à introdução do sistema de cartões (amarelo e vermelho), visando à exata compreensão dos atletas a respeito da punição aplicada pelo árbitro. Outra modificação relevante deu-se no tocante as substituições, pois as seleções foram autorizadas a realizar substituições por motivos meramente táticos, haja vista que, até aquela Copa, as seleções só podiam fazer substituição em caso de lesão de algum atleta. O número de mudanças também foi ampliado de uma para duas. Por fim, mas não menos importante, pode-se destacar a introdução da disputa de pênaltis nos casos de persistência do empate após o término da prorrogação, sistema que só seria utilizado 12 (doze) anos depois, na Copa do Mundo de 1982.

    A máquina canarinho

    No ano de 1970, o Brasil enfrentava um delicado momento político, eis que o regime da ditadura encontrava-se em pleno vigor, tendo, inclusive, provocado à substituição do então técnico da seleção João Saldanha, por Zagallo. Apesar disso, “o velho lobo” (apelido do Zagallo), conseguiu reunir uma verdadeira legião de craques, tais como, Carlos Alberto, Clodoaldo, Gérson, Jairzinho, Rivelino, Pelé e Tostão. Grande parte desses jogadores eram as estrelas de seus clubes no Brasil, fato que certamente contribuiu para o rápido entrosamento do grupo e a posterior conquista da taça.

    Fase de Grupos

    O baixo número de seleções participantes do Mundial 16 (dezesseis) provocou disputas e lances históricos logo na primeira fase da competição. O grupo 03 (três), composto por Brasil, Inglaterra, Tchecoslováquia e Romênia, foi sem dúvida o mais agitado da competição. Logo no primeiro embate, em uma reedição da final da Copa do Mundo de 1962, Brasil e Tchecoslováquia se enfrentaram e o desfecho foi o mesmo, vitória brasileira por 4×1, em um jogo marcado pela brilhante atuação de Pelé. A propósito, foi nesta partida que o rei do futebol quase fez um gol do meio de campo, lance até então inédito e que ficou eternizado na história do esporte. Na mesma partida, após marcar um gol de falta, o craque do Corinthians, Rivelino, foi apelidado pelos mexicanos de Patada Atômica. O segundo jogo da seleção foi contra os atuais campeões mundiais, o English Team, partida que também entrou para história em virtude de uma defesa praticada pelo goleiro inglês Gordon Banks, que conseguiu defender de forma espetacular uma cabeçada efetuada por Pelé. Até os dias de hoje essa defesa é lembrada, sendo considerada por muitos especialistas como a defesa mais difícil da história dos mundiais. A seleção brasileira encerrou a fase de grupos enfrentando uma destemida seleção romena, que, apesar de ter dado trabalho, saiu derrotada pelo placar de 3×2.

    Segunda Fase – Jogos Eliminatórios

    Nas quartas de final, o time canarinho teve pela frente a ofensiva seleção peruana, algozes dos argentinos durante as eliminatórias para Copa. Apesar de demonstrar um futebol ousado e vistoso, os peruanos não foram capazes de segurar o poderoso ataque brasileiro, perdendo o jogo eliminatório pelo placar de 4×2. O embate mais equilibrado e emocionante desta fase foi a reedição da final da Copa anterior, colocando novamente a Inglaterra e a Alemanha Ocidental frente a frente. Mesmo com a ausência do lendário goleiro Gordon Banks, o English Team impôs seu domínio e conseguiu abrir 2×0. No entanto, já na metade do segundo tempo, quando a partida já parecia definida, a seleção alemã descontou o marcador com Franz Beckenbauer, o “Kaiser” (Imperador). O gol reviveu os alemães e os impulsionaram a buscar o empate, o qual acabou concretizado a oito minutos do fim, através da cabeçada do atacante Uwe Seller. Com o empate no tempo regulamentar, a seleção alemã foi extremamente motivada para prorrogação, conseguindo o tento decisivo aos três minutos do segundo tempo da prorrogação com o artilheiro Gerd Muller.

    As semifinais, por sua vez, foram compostas por quatro seleções já detentoras do título, propiciando à seleção brasileira uma espécie de revanche contra os uruguaios, algozes do Brasil na Copa de 1950. Do outro lado, houve um embate europeu entre Alemanha Ocidental e Itália. Os brasileiros saíram vencedores do seu confronto, conseguindo ganhar a partida por 3×1. A outra partida foi simplesmente épica, recebendo o título de “Jogo do Século”, ensejando até a construção de um monumento no Estádio Azteca na Cidade do México em homenagem ao jogo. Isso porque, resumidamente, a partida teve cinco gols marcados durante a prorrogação, saindo a Itália triunfante pelo placar de 4×3.

    A grande final

    Mantendo o mesmo nível das partidas anteriores, a final entre Brasil e Itália foi uma grande exibição de futebol. A seleção canarinho dominou o confronto do início ao fim, vencendo o jogo por 4×1. O marcador foi inaugurado por um gol de cabeça de Pelé, todavia, após uma falha da zaga brasileira, os italianos conseguiram o empate com Roberto Boninsegna, fazendo com que a primeira etapa terminasse empatada. No segundo tempo, o mundo presenciou um verdadeiro espetáculo protagonizado pelos brasileiros, culminando com uma goleada por 4×1. Os gols foram marcados por Gérson, Jairzinho (marcou em todos os jogos do mundial) e terminou com o épico gol marcado pelo capitão da seleção Carlos Alberto Torres. Assim,  vencendo todas as partidas do torneio, a seleção canarinho sagrou-se a primeira tricampeã mundial, recebendo o lendário troféu Jules Rimet em caráter permanente. Por fim, é imperioso ressaltar que esse foi o primeiro mundial transmitido em TV a cores, marcando o encerramento da participação do Rei Pelé em Copas do Mundo.