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Super Liga da Europa: O que é exatamente a competição e por que é uma boa ideia?

Confira neste texto tudo o que você sempre quis saber sobre a Super Liga da Europa: Por que alguns acham ela uma boa ideia e quais as polêmicas em torno desta competição.

A ideia de criar uma superliga fechada surgiu há quase três décadas, encabeçada, à época, pelo Milan (ITA) e Manchester United (ING). Com os crescentes desentendimentos entre os clubes mais poderosos da Europa e a UEFA, bem como, diante dos interesses individuais e econômicos cada vez mais acentuados, o assunto voltou novamente à baila. Desta vez, no entanto, ao contrário do ocorrido em outras ocasiões, o movimento ressurgiu com maior força, sobretudo em virtude de um possível envolvimento da entidade máxima do futebol (FIFA), que pode ser o ingrediente vital para consecução da ideia. Isso porque, a chancela da entidade traria legalidade à competição, evitando que sanções fossem aplicadas aos jogadores e aos clubes, atraindo, consequentemente, mais apoiadores e patrocinadores.

Quanto ao formato da liga, embora não exista nenhum projeto oficial, fala-se nos bastidores em um torneio envolvendo inicialmente 18 (dezoito) equipes das cinco principais ligas europeias: Bundesliga (ALE), La Liga (ESP), League One (FRA), Premier League (ING) e Série A (ITA). A competição seria disputada no modelo de pontos corridos, havendo um mata-mata para definir o campeão.

Prós e Contras da Super Liga da Europa

Não é de hoje que muitos clubes de futebol tornaram-se verdadeiras empresas, tanto é que existem atualmente mais de 20 (vinte) equipes com capital aberto na bolsa.

Nesse contexto, sob uma ótica direta e realista, pode-se afirmar que a criação da nova competição visa assegurar a participação vitalícia dos clubes mais poderosos do continente, garantindo-lhes maiores receitas e patrocínios, inexistindo preocupação com o desgaste dos atletas e com os clubes mais modestos. Com efeito, dependendo do modo de implantação do torneio, os campeonatos nacionais perderiam importância, afastando o público e podendo até propiciar à extinção das equipes com menos recursos.

Por outro lado, é inegável que essa nova liga seria mais equilibrada do que os campeonatos nacionais vigentes, os quais, com exceção do campeonato inglês (Premier League), têm sido dominados pelos mesmos clubes há anos. A título de exemplo, podemos citar as equipes da Juventus da Itália, ganhadora dos últimos nove campeonatos (scudettos), e do Paris Saint-Germain, clube francês onde atua o brasileiro Neymar, campeão nacional sete vezes nos últimos oito anos.

Dessa forma, seja qual for a decisão, é incontroverso que o assunto merece grande atenção, devendo ser amplamente discutido e regulamentado antes de sua implementação.

FIFA Champions League?

Como é sabido, o campeonato de clubes mais importante e famoso do mundo é a Liga dos Campeões da UEFA (em inglês: UEFA Champions League). Assim, como seu próprio nome indica, a competição é organizada desde 1955 pela União das Associações Europeias de Futebol (UEFA). Originariamente denominado de “Copa dos Clubes Campeões Europeus”, o torneio contou durante muitos anos com apenas 16 (dezesseis) clubes, sendo disputado sempre em partidas eliminatórias, abrigando exclusivamente os campeões europeus nacionais.

O formato da competição só foi alterado na temporada de 1992/1993, ocasião em que o torneio passou a contar com 36 (trinta e seis) equipes, divididas em 9 (nove) grupos, exatamente conforme o modelo atual. No mesmo ano, devido as relevantes mudanças, a competição foi rebatizada para o nome atual, qual seja, Liga dos Campeões da UEFA.

Por sua vez, o Mundial de Clubes da FIFA possui um histórico bem menor, haja vista que sua criação oficial deu-se somente no ano 2000. É bem verdade que este torneio está longe de ser a primeira competição intercontinental de clubes realizada, existindo registros de diversos embates anteriores envolvendo equipes de outros continentes. Sem dúvida, a mais conhecida é a denominada “Copa Intercontinental”, posteriormente batizada de “Copa Toyota”, torneio organizado através de uma parceria da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) e a UEFA, que promovia anualmente o confronto do campeão sul-americano (Copa Libertadores), com o campeão europeu (Copa dos Campeões – Champions League). Apesar da FIFA ter outorgado em 2017 o status de campeão mundial aos vencedores desses torneios, não houve a unificação com o atual Mundial de Clubes organizado pela entidade. Introduzido no calendário oficial do futebol em 2005, a competição reúne atualmente apenas os campeões continentais, os quais são representados anualmente por 06 (seis) clubes. O formato atual da competição é incompatível com o calendário do futebol mundial, atingindo especialmente o campeão europeu, haja vista que, no mês de realização do torneio (normalmente dezembro), a temporada europeia encontra-se a pleno vapor, muitas vezes em fases decisivas. Dessa forma, o calendário apertado, somado ao longo e exaustivo trajeto (com exceção da primeira edição, o torneio só foi realizado no Japão e nos Emirados Árabes), tornam a competição pouca atrativa para os gigantes europeus.

Atenta a este cenário, a FIFA anunciou uma drástica alteração no formato do campeonato, o qual passará a contar com 24 (vinte e quatro) clubes, sendo disputado a cada quatro anos. A ideia da entidade embasou-se fortemente no modelo da UEFA Champions League, pois além do grande incentivo financeiro, os times integrantes do torneio serão divididos em grupos, tal qual ocorre na competição europeia. Por essa razão, muitos analistas esportivos passaram a chamar a competição informalmente de “FIFA Champions League”.

FIFA X UEFA

A transformação dos clubes de futebol em empresas fez surgir uma rivalidade velada entre a FIFA e a UEFA. Isso porque, infelizmente ambas entidades pensam cada vez mais em obter lucro e acumular riquezas, deixando a essência do esporte mais amado do mundo de lado. Por serem as detentoras da organização dos dois campeonatos de futebol mais rentáveis do planeta (Copa do Mundo e UEFA Champions League), as instituições travam uma batalha de ego e interesse, planejando a criação ou a readequação de competições para satisfazer seus interesses. Neste cenário, a criação de uma competição fechada englobando os principais times europeus, demonstra-se uma ótima ideia para angariar mais fundos e atrair investidores, gerando um inevitável embate entre as entidades. Até onde irá essa disputa e quais serão os efeitos para o esporte ainda é um mistério, mas uma coisa é certa, independentemente do que ocorra, os fãs do futebol continuarão acompanhando seus clubes.