Todos os gols de Ronaldinho na carreira em competições oficiais
Ronaldinho não era centroavante. Não era nem segundo atacante. Foi meia, armador, número 10. E mesmo assim chegou a 306 gols entre 1998 e 2015. Saiu do Grêmio aos 20 anos rumo ao PSG, virou rei de Camp Nou no Barcelona entre 2003 e 2008, ganhou a Champions League em 2006 e voltou ao Brasil para erguer a Libertadores 2013 pelo Atlético-MG. No meio do caminho, ergueu a Copa do Mundo de 2002 com o tiro livre que humilhou Seaman, foi o melhor do mundo da FIFA em 2004 e 2005, e levou a Bola de Ouro no segundo deles. 17 anos como profissional, 7 clubes em 5 países e 39 gols pela Seleção Brasileira. O sorriso virou marca.
Indice
- 1 Gols por clube: Barcelona no topo, Querétaro no fim
- 2 Da estreia no Grêmio ao auge em Camp Nou
- 3 Volta ao Brasil e adeus no México
- 4 Gols por competição: La Liga lidera com 70
- 5 Maiores vítimas: Internacional na cabeça
- 6 Seleção Brasileira: 39 gols pela Canarinha
- 7 Hat-tricks, títulos e momentos icônicos
- 8 Legado: a marca de 306 gols em 18 anos
Gols por clube: Barcelona no topo, Querétaro no fim
Pelo Barcelona, onde viveu o auge entre 2003 e 2008, foram 94 gols, ou 30,7% do total da carreira. Pelo Grêmio, na fase de revelação, somou 58 (28 no Gauchão, 19 no Brasileirão e o resto entre Sul-Minas e copas continentais). Pela Seleção Brasileira, fechou em 39, à frente de Atlético-MG e Flamengo, que vieram empatados com 28 cada. No Milan, em três temporadas, marcou 26. Pelo PSG, em duas temporadas e meia, 25. E pelo Querétaro, último clube oficial da carreira, somou 8 gols entre 2014 e 2015.
Sem contar os 39 da Seleção, são 267 gols pelos clubes, com média de 38,1 por casa. A maior média de gols por temporada veio em Camp Nou: 18,8 por ano, primeiro ao lado de Eto’o, depois formando trio com o camaronês e o jovem Messi. No Atlético-MG, em duas temporadas e meia, manteve média próxima de 11 gols anuais e levou o Galo à primeira Libertadores da história, em 2013. Aos 33 anos, ainda era o jogador decisivo numa final continental, vencida nos pênaltis sobre o Olimpia paraguaio.
| 1 | Barcelona | 2003-2008 | |
| 2 | Grêmio | 1998-2001 | |
| 3 | Atlético-MG | 2012-2014 | |
| 4 | Flamengo | 2011-2012 | |
| 5 | Milan | 2008-2010 | |
| 6 | PSG | 2001-2003 | |
| 7 | Querétaro | 2014-2015 |
Da estreia no Grêmio ao auge em Camp Nou
A estreia profissional pelo Grêmio aconteceu em fevereiro de 1998. Ronaldinho tinha 17 anos e era apresentado pelo irmão mais velho, Assis, ex-jogador do clube, como uma promessa do bairro Vila Nova, em Porto Alegre. O primeiro gol oficial veio em 31 de março, na vitória por 2 a 0 sobre o Chivas Guadalajara pela Libertadores. A progressão foi acelerada: 6 gols na temporada de estreia, 22 em 1999 (com a artilharia do Gauchão) e 28 em 2000 (Bola de Prata da revista Placar como melhor jogador do Brasileirão). Foram 58 gols pela Tricolor, com o capítulo mais lembrado escrito na final do Gauchão de 1999 contra o Internacional: caneta no capitão Dunga, ex-volante da Seleção tetracampeã, e gol no jogo que selou o título estadual.
O salto para a Europa veio em janeiro de 2001 pelo PSG, por 5 milhões de euros. Foram duas temporadas e meia em Paris, com 25 gols somados: 17 na Ligue 1, 3 na Copa da Uefa, 3 na Coupe de France e 2 na Coupe de la Ligue. O único título relevante chegou cedo, com a Copa Intertoto de 2001. O salto de patamar definitivo veio depois do Mundial de 2002 vencido na Coreia: na volta, marcou 12 gols na temporada inteira e se firmou como meia titular da Seleção. Saiu de Paris em julho de 2003 cobiçado por Manchester United e Barcelona, com a Espanha levando a melhor por 30 milhões de euros.

Cinco temporadas em Camp Nou e o capítulo definitivo da carreira: 94 gols, dois títulos de La Liga (2004/05 e 2005/06), uma Champions League (2005/06) e duas Supercopas da Espanha. Ronaldinho jogou ao lado de Eto’o, formou trio com o camaronês e o jovem Messi, e levantou o clube depois de cinco anos sem grandes conquistas continentais. O pico absoluto veio na temporada 2005/06: 26 gols, dobradinha La Liga e Champions, e a noite mítica de 19 de novembro de 2005 no Bernabéu, com dois gols na vitória por 3 a 0 sobre o Real Madrid e ovação de pé da torcida adversária. Caso raríssimo na história do El Clásico.
A última escala europeia veio em julho de 2008, no Milan, por 18,5 milhões de euros. Foram 26 gols em três temporadas no Rossonero, com hat-trick sobre o Siena na vitória por 4 a 0 em janeiro de 2010 e participação no Scudetto de 2010/11, último título europeu do Bruxo. Antes de embarcar para a Itália, fez um gesto que entrou para a história do Barcelona: cedeu a camisa 10 ao argentino Lionel Messi, então com 21 anos. O ciclo europeu de uma década entre PSG, Barcelona e Milan estava encerrado.
Volta ao Brasil e adeus no México
A volta ao Brasil aconteceu em janeiro de 2011, pelo Flamengo. Foram 28 gols em pouco mais de um ano e meio rubro-negro, com 22 só na temporada de 2011, e o jogo mais lembrado deixou marca eterna na Vila Belmiro: hat-trick na virada por 5 a 4 sobre o Santos do jovem Neymar pelo Brasileirão, depois de o time da casa abrir 3 a 0. Em junho de 2012, Ronaldinho mudou-se para o Atlético-MG, onde escreveu o capítulo mais emotivo da fase brasileira: 28 gols, eleição como melhor da Libertadores em 2013 e o título inédito da competição para o Galo, decidido nos pênaltis sobre o Olimpia. Aos 33 anos, ainda era o cara que ditava o ritmo do time e a alegria da torcida na Arena Independência.
O encerramento oficial em clubes foi pelo Querétaro do México, com 8 gols entre Apertura 2014, Clausura 2015 e Liguilla. O último gol oficial saiu em 18 de maio de 2015, no empate em 2 a 2 com o Veracruz pela Liguilla. Ronaldinho tinha 35 anos. Em volume bruto, a temporada de 2000 (33 gols pelo Grêmio) liderou a carreira, seguida pela de 1999 e 2005 (30 cada): a primeira no Gauchão tricolor, a segunda no auge do Barcelona. Já as temporadas de 2009 e 2014 foram as menos produtivas fora dos extremos do início e fim de carreira, com apenas 6 e 4 gols, respectivamente.
| 2000 | |
| 1999 | |
| 2005 | |
| 2006 | |
| 2004 | |
| 2011 | |
| 2007 | |
| 2002 | |
| 2003 | |
| 2013 | |
| 2012 | |
| 2008 | |
| 2010 | |
| 2001 | |
| 1998 | |
| 2009 | |
| 2015 | |
| 2014 |
Gols por competição: La Liga lidera com 70
La Liga é a competição em que mais marcou: 70 gols, todos pelo Barcelona entre 2003 e 2008. O Brasileirão fica em segundo com 51 gols, divididos entre Grêmio, Flamengo e Atlético-MG. O Campeonato Gaúcho recebeu 28 (todos pelo Tricolor de Porto Alegre) e os amistosos de Seleção totalizaram 22. Champions League e Ligue 1 fecham o top 7, com 18 e 17 gols respectivamente. Já em Copas do Mundo, foram apenas 2 gols, ambos em 2002, ambos contra adversários ingleses (China na fase de grupos por 4 a 0 e Inglaterra nas quartas por 2 a 1).
A distribuição reflete a década europeia. As ligas e copas do velho continente (La Liga 70, Serie A 20, Champions 18, Ligue 1 17, Copa da Uefa 9 e Copa do Rei 4) totalizam 138 gols, ou 45% da carreira inteira. Já os torneios brasileiros (Brasileirão, Gauchão, Carioca, Mineiro, Copa do Brasil, Mercosul, Sul-Minas, Sul-Americana e Seletiva) somam 100 gols, com o Brasileirão liderando o subgrupo. Os 8 gols pela Libertadores 2013 e os 9 da Copa das Confederações fecham o capítulo continental e de seleções.
| 1 | La Liga | |
| 2 | Brasileirão | |
| 3 | Campeonato Gaúcho | |
| 4 | Amistosos de Seleção | |
| 5 | Serie A | |
| 6 | Champions League | |
| 7 | Ligue 1 | |
| 8 | Confederações | |
| — | Copa da Uefa | |
| 10 | Libertadores |
Maiores vítimas: Internacional na cabeça
O adversário mais castigado da carreira foi o Internacional: 9 gols ao longo do tempo, divididos entre os Grenais pelo Grêmio (1998-2000) e os duelos pelo Flamengo no Brasileirão de 2011 e 2012. Aos colorados, com a camisa rubro-negra, marcou tanto no empate em 2 a 2 no Beira-Rio (21/08/2011, num gol de falta) quanto no 3 a 3 do Engenhão (26/05/2012). Na Espanha, Zaragoza e Deportivo La Coruña empatam com 7 gols cada. Sevilla e Real Madrid vêm em seguida, com 6 cada. Figueirense, Racing Santander e Betis aparecem com 5. Chile e Juventus fecham o top 10 com 4. Dos 306 gols da carreira, 91 saíram de pênalti, taxa de 29,7%.
Dos 91 pênaltis convertidos na carreira, 34 saíram pelo Barcelona, o maior recorte. O Atlético-MG vem em seguida com 15, o Milan com 12 e o Flamengo com 8. Dos 6 gols sobre o Real Madrid, dois saíram naquela noite memorável de 19 de novembro de 2005 no Bernabéu. Dos 5 contra o Betis, um foi decisivo na Copa do Rei de 2003/04, na primeira temporada catalã, ainda na adaptação ao Barça de Frank Rijkaard.
| 1 | Internacional | |
| 2 | Zaragoza | |
| — | Deportivo La Coruña | |
| 4 | Sevilla | |
| — | Real Madrid | |
| 6 | Figueirense | |
| — | Racing Santander | |
| — | Betis | |
| 9 | Chile | |
| — | Juventus |
Seleção Brasileira: 39 gols pela Canarinha
A estreia pela Seleção principal aconteceu na Copa América de 1999, no Paraguai. Ronaldinho tinha 19 anos e era promessa do Grêmio. Em 12 anos de Canarinha, foram 39 gols distribuídos entre amistosos (22), Confederações (9), Eliminatórias (5), Mundiais (2) e Copa América (1). Foram 97 partidas pela Seleção principal entre 1999 e 2011, com duas Copas do Mundo na bagagem (2002 e 2006). Para a Copa de 2010 na África do Sul, Dunga, então técnico, tomou a decisão polêmica de não convocá-lo, episódio que marcou o fim da era do Bruxo na amarelinha.
Os 9 gols na Copa das Confederações fazem dele o maior artilheiro da história do torneio, empatado com o mexicano Cuauhtémoc Blanco. Na edição de 1999 no México, marcou 6 vezes, incluindo hat-trick sobre a Arábia Saudita (8 a 2) na semifinal. Na de 2005 na Alemanha, somou 3 gols, com o último cravado na final goleada por 4 a 1 sobre a Argentina. Já os 2 gols em Copas do Mundo saíram ambos em 2002: o primeiro contra a China na fase de grupos (vitória por 4 a 0) e o tiro livre histórico sobre o David Seaman a quase 40 metros do gol, na vitória por 2 a 1 das quartas contra a Inglaterra. O lance ainda divide opiniões entre quem acredita que Ronaldinho cruzou para dentro e quem garante que foi chute na trave do canhoto.
Hat-tricks, títulos e momentos icônicos
Foram 7 hat-tricks ao longo da carreira profissional. O primeiro veio cedo, pela Seleção, em agosto de 1999, contra a Arábia Saudita pela Copa das Confederações no México. O último, treze anos depois, pelo Atlético-MG sobre o Figueirense pelo Brasileirão, em outubro de 2012. Barcelona, Brasil, Milan, Flamengo e Atlético-MG dividem essa lista com pelo menos um hat-trick cada. Apenas Grêmio, PSG e Querétaro ficaram sem registro de três gols numa única partida.
| Data | Equipe | Resultado | Adversário | Competição |
|---|---|---|---|---|
| 01/08/1999 | Brasil | 8-2 | Arábia Saudita | Confederações |
| 15/10/2003 | Barcelona | 8-0 | Púchov | Copa da Uefa |
| 18/08/2004 | Brasil | 6-0 | Haiti | Amistoso |
| 27/09/2005 | Barcelona | 4-1 | Udinese | Champions League |
| 17/01/2010 | Milan | 4-0 | Siena | Serie A |
| 27/07/2011 | Flamengo | 5-4 | Santos | Brasileirão |
| 06/10/2012 | Atlético-MG | 6-0 | Figueirense | Brasileirão |
Os títulos vieram em cinco países e na Seleção. Pelo Grêmio, Gauchão 1999 e Copa Sul 1999. Pelo PSG, Intertoto 2001. Pelo Barcelona, dois títulos de La Liga (2004/05 e 2005/06), uma Champions League (2005/06) e duas Supercopas da Espanha (2005 e 2006). Pelo Milan, o Scudetto 2010/11. Pelo Flamengo, o Carioca 2011. Pelo Atlético-MG, Mineiro 2013, Libertadores 2013 e Recopa Sul-Americana 2014. E pela Seleção, a Copa do Mundo 2002, a Copa das Confederações 2005 e a Copa América 1999.
No plano individual, ergueu a Bola de Ouro em 2005, ano em que fechou também a dobradinha como melhor do mundo da Fifa, prêmio recebido nos dois anos seguidos (2004 e 2005). Foi melhor do mundo da FIFPro em 2005 e 2006, melhor estrangeiro de La Liga em 2003/04 e 2005/06 e melhor jogador da Uefa em 2005/06. Integrou o FIFPro World XI em 2005, 2006 e 2007, e o Time do Ano da Uefa em 2004, 2005 e 2006. Em 2004, Pelé o incluiu na Fifa 100, lista das maiores lendas vivas do futebol. Em 2009, a revista britânica World Soccer o nomeou Jogador da Década. Encerrou a coleção, em 2013, como Melhor Sul-Americano e Melhor da Libertadores, aos 33 anos de idade.
Legado: a marca de 306 gols em 18 anos
Ronaldinho atuou principalmente como meia-atacante, com liberdade para vagar do extremo esquerdo até o miolo do campo, função que poucos jogadores brasileiros desempenharam com tanta liberdade tática. O repertório técnico incluía o elástico (aprendido nos vídeos de Rivelino que assistia em Porto Alegre, ainda menino), cobranças de falta com os dois pés e o passe sem olhar que virou marca registrada do trio com Eto’o e Messi entre 2005 e 2008. Em 2006, Zinedine Zidane, em entrevista à imprensa francesa, o classificou simplesmente como “o melhor jogador do mundo”. Messi, anos depois, reconheceu publicamente que o gaúcho foi quem o ajudou a se adaptar ao primeiro time do Barcelona, aos 17 anos.
A aposentadoria formal aconteceu em janeiro de 2018, anunciada pelo irmão Assis, três anos após o último jogo oficial pelo Fluminense, em setembro de 2015. Em março de 2020, Ronaldinho foi detido no Paraguai, com o próprio Assis, por uso de documentação falsificada, ficou 5 meses entre cárcere e prisão domiciliar em Assunção e voltou ao Brasil só depois do pagamento de fiança. Os 306 gols entre 1998 e 2015 cobrem só uma parte da história. A outra metade vive nas assistências para Eto’o e Messi, nas canetas, nos elásticos, nas cobranças impossíveis e nas finalizações que sobrevivem à era das planilhas. Quase dez anos depois do último gol oficial, o sorriso ainda rende milhões de visualizações em redes sociais.

Júlio César Cardoso é brasileiro e reside em Florianópolis. Estudou ciências econômicas na Universidade Federal de Santa Catarina. Atua no ramo de jornalismo esportivo com foco em estatísticas desde 2012, tendo sido o criador do site Futdados.com. Desde 2020, teve passagens por Premier League Brasil, Trivela, Quinto Quarto, Esportelândia entre 2020 e 2024. Colaborou para diversas matérias jornalísticas dos sites GloboEsporte.com, UOL.com.br, ESPN.com.br, Jornal Extra e outros.




