Uruguai: estatísticas em Copas – desempenho geral e maiores artilheiros
Há 76 anos, diante de cerca de 200 mil pessoas no Maracanã, o Uruguai venceu o Brasil por 2 a 1 e escreveu o capítulo que nenhum outro conseguiu apagar do imaginário do futebol: o Maracanazo. Foi o segundo dos dois títulos celestes, ambos conquistados longe do favoritismo, em 1930 e 1950. A 15.ª participação chega em 2026, sustentada por 59 partidas, 89 gols e 5 semifinais em 14 edições das Copas do Mundo.
Indice
- 1 1950: o Maracanazo, minuto a minuto
- 2 1930: o título inaugural com 100% de aproveitamento
- 3 Míguez, Suárez e Forlán: a artilharia celeste
- 4 2010: o 4.º lugar e os pênaltis de Soccer City
- 5 Cavani, Muslera e os donos do recorde de presenças
- 6 As 15 Copas celestes, de 1930 a 2026
- 7 Em 2026: Grupo H e o reencontro com a Espanha
1950: o Maracanazo, minuto a minuto
A Copa de 1950 não teve final eliminatória: o título foi decidido num quadrangular em pontos corridos, e a última rodada colocou frente a frente Brasil e Uruguai, com os anfitriões precisando apenas do empate. Diante de cerca de 200 mil pessoas no Maracanã, com arbitragem do inglês George Reader, Friaça abriu o placar aos 47 minutos, Schiaffino empatou aos 66 e Ghiggia virou aos 79, selando o 2 a 1 que deu ao Uruguai seu segundo título mundial.
1930: o título inaugural com 100% de aproveitamento
Anfitrião da primeira Copa da história, o Uruguai venceu os 4 jogos que disputou, marcou 15 gols e sofreu apenas 3, batendo a Argentina por 4 a 2 na final. O título coroava a seleção que já era bicampeã olímpica, com os ouros de 1924 e 1928. Em retaliação ao boicote de várias seleções europeias àquele Mundial, o país recusou-se a defender o troféu em 1934 e também ficou fora de 1938.
Míguez, Suárez e Forlán: a artilharia celeste
O maior artilheiro uruguaio em Copas segue sendo Oscar Míguez, com 8 gols: 5 na campanha do título de 1950 e 3 em 1954. Luis Suárez vem logo atrás com 7, divididos entre 2010, com 3, e as Copas de 2014 e 2018, com 2 em cada. Diego Forlán soma 6, sendo 5 só na campanha de 2010, e um trio fecha o pelotão com 5: Pedro Cea, da geração de 1930, Schiaffino, herói do Maracanazo, e Edinson Cavani.
| 1 | Oscar Míguez | |
| 2 | Luis Suárez | |
| 3 | Diego Forlán | |
| 4 | Pedro Cea | |
| 5 | Juan Schiaffino | |
| 6 | Edinson Cavani |
2010: o 4.º lugar e os pênaltis de Soccer City
A melhor campanha moderna começou com Forlán em estado de graça: 2 gols no 3 a 0 sobre a África do Sul anfitriã e 5 no torneio. Nas quartas, contra Gana, ele empatou de falta aos 55 minutos após o gol de Muntari, e o 1 a 1 resistiu aos 120 minutos. Nos pênaltis, diante de 84 mil pessoas em Soccer City, o Uruguai venceu por 4 a 2 e voltou a uma semifinal 40 anos depois. As despedidas foram amargas e idênticas: 3 a 2 para a Holanda na semi, com gols de Forlán e Maxi Pereira, e 3 a 2 para a Alemanha no bronze, com Cavani e Forlán marcando.
Cavani, Muslera e os donos do recorde de presenças
Edinson Cavani lidera as presenças uruguaias em Copas com 17 jogos, todos entre 2010 e 2018. Logo atrás, um trio da mesma geração soma 16 partidas em quatro edições: o goleiro Fernando Muslera, Diego Godín e Luis Suárez. Muslera, aos 39 anos e com 134 jogos pela seleção, está no elenco de 2026 e caminha para sua quinta Copa do Mundo.
| 1 | Edinson Cavani | |
| 2 | Fernando Muslera | |
| 3 | Diego Godín | |
| 4 | Luis Suárez |
As 15 Copas celestes, de 1930 a 2026
Depois do bicampeonato, o Uruguai colecionou campanhas profundas nos anos 50 e 70, com os quartos lugares de 1954 e 1970, e viveu sua despedida mais cruel em 2022: com vitória de 2 a 0 sobre Gana, dois gols de De Arrascaeta, a Celeste empatou com a Coreia do Sul em pontos e saldo, mas caiu pelo critério de gols marcados. No total são 25 vitórias, 13 empates e 21 derrotas em 59 jogos, com 89 gols a favor, 76 contra e saldo de +13.
| 1930 | 4 | Campeão |
| 1950 | 3 1 | Campeão |
| 1954 | 3 2 | 4.º lugar |
| 1962 | 1 2 | Grupos |
| 1966 | 1 2 1 | Quartas |
| 1970 | 2 1 3 | 4.º lugar |
| 1974 | 1 2 | Grupos |
| 1986 | 2 2 | Oitavas |
| 1990 | 1 1 2 | Oitavas |
| 2002 | 2 1 | Grupos |
| 2010 | 3 2 2 | 4.º lugar |
| 2014 | 2 2 | Oitavas |
| 2018 | 4 1 | Quartas |
| 2022 | 1 1 1 | Grupos |
Em 2026: Grupo H e o reencontro com a Espanha
O Uruguai monta para a 15.ª participação um grupo de 26 jogadores e média de 28,8 anos, com Federico Valverde e Rodrigo Bentancur, ambos com 73 jogos pela seleção, o centroavante Darwin Núñez e Giorgian de Arrascaeta, dono de 13 gols pela Celeste e dos dois da despedida de 2022. Os dois primeiros jogos serão em Miami, e a última rodada reserva o 3.º confronto da história contra a Espanha em Copas: os dois anteriores, em 1950 e 1990, terminaram empatados.

Júlio César Cardoso é brasileiro e reside em Florianópolis. Estudou ciências econômicas na Universidade Federal de Santa Catarina. Atua no ramo de jornalismo esportivo com foco em estatísticas desde 2012, tendo sido o criador do site Futdados.com. Desde 2020, teve passagens por Premier League Brasil, Trivela, Quinto Quarto, Esportelândia entre 2020 e 2024. Colaborou para diversas matérias jornalísticas dos sites GloboEsporte.com, UOL.com.br, ESPN.com.br, Jornal Extra e outros.




