Libertadores: retrospecto completo de todas as participações de clubes brasileiros

O Brasil tem 12 clubes campeões da Copa Libertadores da América, com 25 títulos conquistados entre 1962 e 2025 — marca que iguala a Argentina como maior vencedora da competição. O Flamengo lidera o ranking nacional com 4 troféus, seguido por Santos, São Paulo, Grêmio e Palmeiras, cada um com 3 conquistas. Com 7 títulos consecutivos entre 2019 e 2025, o país vive o maior período de dominância da história do torneio.

Todos os clubes brasileiros campeões da Libertadores

Clube Títulos Anos Finais Participações
Flamengo 4 1981, 2019, 2022, 2025 5 22
Santos 3 1962, 1963, 2011 4 17
São Paulo 3 1992, 1993, 2005 6 24
Grêmio 3 1983, 1995, 2017 4 22
Palmeiras 3 1999, 2020, 2021 7 26
Cruzeiro 2 1976, 1997 4 17
Internacional 2 2006, 2010 3 16
Vasco 1 1998 1 9
Corinthians 1 2012 1 18
Atlético Mineiro 1 2013 2 15
Fluminense 1 2023 2 11
Botafogo 1 2024 1 9

A história do Brasil na Libertadores: seis décadas de evolução

Os primeiros anos da Libertadores foram dominados por uruguaios e argentinos. Peñarol e Santos protagonizaram uma rivalidade histórica no início dos anos 1960, com o time brasileiro quebrando a hegemonia platina ao conquistar o bicampeonato consecutivo em 1962 e 1963. O Santos de Pelé marcou época e abriu caminho para outras equipes do país.

Nos anos 1970, a Argentina viveu seu período de ouro com o Independiente conquistando 4 títulos seguidos (1972 a 1975) — feito jamais igualado. O Brasil teve participações importantes, com o Cruzeiro quebrando o jejum nacional ao vencer em 1976, mas a década ficou marcada pela supremacia do futebol argentino.

As décadas seguintes trouxeram o Flamengo de Zico em 1981, o Grêmio em 1983 e 1995, além do São Paulo nos anos 1990, duas vezes campeão em 1992 e 1993. O formato da competição também evoluiu: inicialmente restrita apenas aos campeões nacionais, a Libertadores passou a incluir mais clubes por país a partir dos anos 1970, aumentando a representatividade brasileira.

A partir de 2019, o Brasil entrou em um período de dominância sem precedentes. Flamengo, Palmeiras, Fluminense e Botafogo se revezaram no topo, somando 7 títulos consecutivos para o país — a maior sequência de uma mesma nação na história do torneio. O Flamengo selou essa hegemonia ao vencer o Palmeiras na final de 2025 em Lima, igualando o Brasil à Argentina com 25 conquistas cada.

Flamengo: o primeiro tetracampeão brasileiro da Libertadores

O Flamengo conquistou seu primeiro título em 1981, com um dos times mais lendários do futebol brasileiro. Comandada por Zico, Júnior, Leandro e outros craques, a equipe derrotou o Cobreloa do Chile na final, em uma época em que o Maracanã recebia públicos superiores a 100 mil pessoas nas partidas decisivas.

O jejum de 38 anos foi encerrado em 2019, quando o Flamengo de Jorge Jesus derrotou o River Plate por 2 a 1 em Lima, com 2 gols de Gabigol nos acréscimos. Em 2022, o tricampeonato veio sobre o Athletico Paranaense na final de Guayaquil. A única derrota em decisões no período recente aconteceu em 2021, quando o Palmeiras levou a melhor com gol de Deyverson na prorrogação.

O tetracampeonato histórico veio em 29 de novembro de 2025, no Estádio Monumental de Lima, contra o Palmeiras. O zagueiro Danilo, que já havia sido campeão pelo Santos em 2011, marcou o único gol da partida aos 67 minutos, em cabeçada após escanteio de Arrascaeta. Sob comando do técnico Filipe Luís — campeão como jogador em 2019 e 2022 —, o Flamengo se tornou o primeiro clube brasileiro a erguer 4 vezes a taça da Libertadores, igualando River Plate e Estudiantes no ranking continental. Com 5 finais e 22 participações totais, o Rubro-Negro é hoje o maior campeão brasileiro da competição.

Palmeiras: o brasileiro com mais finais na história da Libertadores

O Palmeiras tem a história mais peculiar entre os brasileiros na Libertadores. Foi o primeiro clube do país a disputar uma final, em 1961, mas perdeu para o Peñarol. Em 1968, nova derrota, desta vez para o Estudiantes. O primeiro título veio apenas em 1999, nos pênaltis contra o Deportivo Cali, encerrando um longo jejum de frustrações. Em 2000, o Verdão voltou à decisão, mas caiu para o Boca Juniors.

A era Abel Ferreira transformou o Palmeiras em potência continental. Em 2020, o título veio sobre o Santos no Maracanã, com gol de Breno Lopes aos 53 minutos do segundo tempo. Em 2021, novo troféu, desta vez sobre o Flamengo, com gol de Deyverson na prorrogação. O tricampeonato colocou o Alviverde entre os maiores vencedores do país.

Em 2025, o Palmeiras voltou à decisão contra o Flamengo, reedição da final de 2021, mas foi superado por 1 a 0 em Lima. Com 7 finais disputadas e 26 participações na competição, o Verdão é o clube brasileiro com mais decisões e mais edições na história do torneio.

Santos: o pioneiro do bicampeonato brasileiro

O Santos foi o primeiro clube brasileiro a conquistar a Libertadores e também o primeiro a ser bicampeão consecutivo, vencendo as edições de 1962 e 1963 com o lendário time de Pelé, Coutinho e Pepe. Naquelas duas finais, a equipe superou o Peñarol em 1962 e o Boca Juniors em 1963, estabelecendo o Brasil como potência continental.

O terceiro título veio apenas em 2011, com a geração de Neymar e Ganso — um intervalo de 48 anos entre conquistas. Em 2020, o clube chegou à final novamente, mas foi superado pelo rival Palmeiras no Maracanã. Com 17 participações na competição, o Santos permanece como um dos clubes mais tradicionais da América do Sul.

São Paulo: o único brasileiro com 3 finais consecutivas

O São Paulo é o único clube brasileiro a disputar 3 finais consecutivas de Libertadores (1992, 1993 e 1994), conquistando as duas primeiras sob o comando de Telê Santana. O bicampeonato veio sobre Newell’s Old Boys e Universidad Católica, com um time que também foi campeão mundial em ambas as ocasiões.

O terceiro título veio em 2005, quando o São Paulo de Rogério Ceni derrotou o Athletico Paranaense na final. Em 2006, a equipe voltou à decisão, mas perdeu para o Internacional. Com 24 participações e 6 finais disputadas, o Tricolor Paulista permanece entre os clubes com mais decisões na história do torneio.

Grêmio: o especialista em copas com títulos em 3 décadas diferentes

O Grêmio carrega a mística de clube copeiro e conquistou seus 3 títulos de Libertadores em décadas diferentes. Em 1983, derrotou o Peñarol na final e foi campeão mundial sobre o Hamburgo. Em 1995, superou o Atlético Nacional da Colômbia. E em 2017, sob comando de Renato Gaúcho, venceu o Lanús para completar o tricampeonato.

Com 22 participações na competição, o Tricolor Gaúcho também acumula 2 vice-campeonatos (1984 e 2007, quando perdeu para o Boca Juniors) e diversas semifinais. Renato Gaúcho, campeão como jogador em 1983 e técnico em 2017, é um dos poucos a alcançar esse feito na história da Libertadores.

Cruzeiro: bicampeão com quase 3 décadas de jejum

O Cruzeiro foi campeão da Libertadores em 1976, derrotando o River Plate na final, e conquistou seu segundo título em 1997, diante do Sporting Cristal. Com 17 participações na competição, a Raposa é um dos clubes brasileiros mais tradicionais no torneio, tendo chegado a 4 finais ao todo — incluindo os vice-campeonatos de 1977 e 2009.

O bicampeonato de 1997 foi a última conquista continental do clube mineiro. São quase 29 anos sem levantar a taça, período em que o Cruzeiro enfrentou rebaixamento no Campeonato Brasileiro e grave crise financeira. Em 2009, a equipe chegou às semifinais, perdendo para o Estudiantes — que seria campeão naquele ano —, mas desde então não conseguiu mais alcançar as fases decisivas.

Internacional: bicampeão nos anos 2000

O Internacional conquistou seus 2 títulos de Libertadores em um intervalo curto de 4 anos. Em 2006, derrotou o São Paulo na final brasileira e foi campeão mundial sobre o Barcelona. Em 2010, o adversário foi o Chivas Guadalajara do México, superado por 5 a 3 no placar agregado.

Com 16 participações na competição, o Colorado também chegou à final em 1980, quando foi vice para o Nacional do Uruguai. O clube gaúcho mantém tradição de campanhas sólidas e alcançou semifinais em diversas ocasiões, incluindo 2023, quando foi eliminado pelo Fluminense.

Vasco: campeão em sua única final de Libertadores

O Vasco da Gama tem uma história singular na Libertadores: chegou a apenas uma final e não desperdiçou a oportunidade. Em 1998, o time de Luizão, Donizete, Juninho e Mauro Galvão derrotou o Barcelona de Guayaquil para conquistar o título inédito.

Com 9 participações totais, o Cruzmaltino não retornou a uma decisão desde então. Vale destacar que a CONMEBOL reconhece o Vasco como campeão sul-americano de 1948, quando o clube venceu o Campeonato Sul-Americano de Campeões, torneio considerado precursor direto da Libertadores.

Corinthians: o título que quebrou o tabu em 2012

O Corinthians carregou por décadas o peso de ser o único grande clube paulista sem título de Libertadores, enquanto Santos, São Paulo e Palmeiras já haviam conquistado a América. Em 2012, o time comandado por Tite encerrou o tabu de forma invicta, derrotando o Boca Juniors na final com 2 vitórias.

Aquela campanha ficou marcada pela solidez defensiva e pelo aproveitamento total nas finais. Com 18 participações na competição, o Timão não voltou a uma decisão desde então, mas segue como um dos clubes brasileiros mais assíduos no torneio continental.

Atlético Mineiro: a glória eterna de 2013 e o vice de 2024

O Atlético Mineiro conquistou seu único título de Libertadores em 2013, com um time que reuniu Ronaldinho Gaúcho, Bernard e outros talentos. A campanha ficou marcada pela vitória sobre o Olimpia nos pênaltis, no Mineirão, em uma das decisões mais emocionantes da história do torneio.

Com 15 participações totais, o Galo se tornou presença frequente na competição. Em 2024, a equipe chegou novamente à final, em Buenos Aires, mas foi derrotada pelo Botafogo por 3 a 1, mesmo após o adversário ter ficado com um jogador a menos logo no primeiro minuto. O clube mineiro busca repetir a glória de 2013, mas ainda não conseguiu voltar ao topo do continente.

Fluminense: o título que emocionou o Maracanã em 2023

O Fluminense conquistou seu primeiro e único título de Libertadores em 2023, derrotando o Boca Juniors por 2 a 1 no Maracanã. A conquista veio com um time comandado por Fernando Diniz, que praticava futebol ofensivo e encantou os torcedores ao longo de toda a campanha.

Com 11 participações na competição, o Tricolor das Laranjeiras havia chegado à final pela primeira vez em 2008, quando perdeu para a LDU do Equador. A espera de 15 anos entre as duas decisões valeu a pena, e o Fluminense entrou para o seleto grupo de clubes brasileiros campeões da América.

Botafogo: o 12º brasileiro a conquistar a Libertadores

O Botafogo tornou-se o mais recente clube brasileiro a conquistar a Libertadores, vencendo o Atlético Mineiro por 3 a 1 na final de 2024, em Buenos Aires. A equipe de Artur Jorge demonstrou resiliência impressionante: mesmo com a expulsão de Gregore no primeiro minuto, Luiz Henrique, Alex Telles e Júnior Santos garantiram o título inédito.

Com 9 participações totais na competição, o Botafogo encerrou um jejum histórico e se juntou aos outros 11 clubes brasileiros campeões. Na edição de 2025, o Glorioso tentou a defesa do título, mas foi eliminado nas oitavas de final pela LDU Quito.

Brasil x Argentina: a disputa pelo topo da Libertadores

Com o tetracampeonato do Flamengo em 2025, o Brasil igualou a Argentina no topo do ranking de países com mais títulos da Libertadores: 25 conquistas para cada lado. Em número de clubes campeões, os brasileiros lideram com folga — 12 equipes contra 8 dos argentinos.

O Flamengo é o único tetracampeão brasileiro, seguido por Santos, São Paulo, Grêmio e Palmeiras, cada um com 3 títulos. Cruzeiro e Internacional têm 2 conquistas, enquanto Vasco, Corinthians, Atlético Mineiro, Fluminense e Botafogo ergueram a taça uma vez cada. A sequência de 7 títulos brasileiros consecutivos entre 2019 e 2025 superou a marca do futebol argentino, que havia emplacado 4 conquistas seguidas em duas ocasiões (1967-1970 e 1972-1975). Um eventual triunfo brasileiro na edição de 2026 colocaria o país como líder isolado na história da competição.