Raio-X de todos os gols de Rogério Ceni na carreira
131 gols como goleiro. A contagem oficial do São Paulo faz de Rogério Ceni o maior artilheiro da posição na história do futebol: 69 de pênalti, 61 de falta e 1 com a bola rolando, todos pelo Tricolor entre 1997 e 2015, quando o arqueiro deixou os gramados. FIFA e IFFHS reconhecem 129 em partidas oficiais, já que 2 gols em amistosos oficiais do clube ficam fora das contagens internacionais, mas o número bruto da trajetória tricolor segue intocável entre goleiros no mundo.
Indice
Os números que fazem de Ceni o maior artilheiro da posição
O gol 63, marcado em 20 de agosto de 2006 contra o Cruzeiro no Mineirão, tirou o paraguaio José Luis Chilavert do topo mundial e colocou Ceni no lugar dele. Foi numa falta ensaiada. Ainda na mesma noite, o são-paulino converteu um pênalti e fechou a partida com 64 no cartel. A diferença nunca mais foi ameaçada por nenhum outro goleiro em atividade.
A estreia no placar tinha sido quase dez anos antes: 15 de fevereiro de 1997, cobrança de falta contra o União São João em Araras, pelo Campeonato Paulista. O gol 100 veio em 27 de março de 2011, também de falta, na vitória sobre o Corinthians em Barueri, encerrando uma série longa de invencibilidade do rival no clássico. O último foi um pênalti contra o Ceará em 26 de agosto de 2015, na Arena Castelão, pela Copa do Brasil. No Campeonato Brasileiro marcaria 65 ao todo, quase metade de toda a carreira goleadora.
Os números de Rogério Ceni
| 15/02/1997 | Primeiro gol, falta contra o União São João em Araras |
| 20/08/2006 | Gol 63 contra o Cruzeiro, recorde mundial de Chilavert superado |
| 27/03/2011 | Gol 100 em jogo oficial, falta no clássico contra o Corinthians |
| 26/08/2015 | Último gol, pênalti contra o Ceará pela Copa do Brasil |
Gols por temporada: 2005 e o ano que ninguém igualou
Em 2005, Rogério Ceni marcou 21 gols em um único ano. Foi a temporada do Paulistão, da Libertadores e do Mundial de Clubes, competições vencidas com ele na artilharia do elenco são-paulino. Nenhum outro goleiro na história do futebol profissional bateu esse número em doze meses. Em 2006 vieram mais 16, incluindo o gol histórico que tirou Chilavert do topo e a primeira e única bola rolando da carreira.
O biênio 2005-2006 respondeu sozinho por 37 dos 131 gols, mais de um quarto da produção total. A carreira teve vales claros: dois gols em 2003 e em 2009, anos em que o São Paulo priorizou outras cobranças. Já 2014 reacendeu a chama com 10 bolas na rede, quase todas de pênalti, num momento em que Ceni caminhava para a aposentadoria mas seguia como batedor oficial do clube na Copa Libertadores e no nacional. 2015 fechou a conta com 8 gols e a despedida contra o Ceará em Fortaleza.
Gols por ano na carreira
Contagem oficial do São Paulo. O pico foi em 2005, ano do Mundial de Clubes.
| 1997 | |
| 1998 | |
| 1999 | |
| 2000 | |
| 2001 | |
| 2002 | |
| 2003 | |
| 2004 | |
| 2005 | |
| 2006 | |
| 2007 | |
| 2008 | |
| 2009 | |
| 2010 | |
| 2011 | |
| 2012 | |
| 2013 | |
| 2014 | |
| 2015 |
Adversários preferidos: Cruzeiro e Palmeiras na mira
Cruzeiro e Palmeiras dividem o topo dos alvos de Ceni na carreira, com 7 gols cada. O time celeste é figura obrigatória na conversa: foi no Mineirão, em 20 de agosto de 2006, que saiu o recorde mundial, e foi também naquele mesmo jogo que Ceni marcou seu único gol com a bola rolando, num contra-ataque aproveitado dentro da pequena área adversária. Contra o rival alviverde, a colheita foi de 5 pênaltis e 2 faltas, quase todos em clássicos decididos no detalhe.
Logo atrás vêm Figueirense e Grêmio com 6 gols cada. Santos e Vasco fecham o top 6 com 5 gols, divididos entre faltas e pênaltis. O padrão mostra a importância do goleiro na era dos pontos corridos, quando o São Paulo precisava de alguém para resolver jogos travados contra defesas fechadas. Ceni foi essa solução em 33 gols contra os seis rivais mais encontrados. Entre os demais, aparecem Bahia, Fluminense, Paraná e Ponte Preta empatados em 4 gols, completando a lista dos que mais apanharam do artilheiro.
Top 10 adversários de Ceni
Clubes que mais vezes sofreram gols do goleiro-artilheiro.
| 1 | Cruzeiro5 pênaltis, 1 falta, 1 bola rolando | |
| 1 | Palmeiras5 pênaltis, 2 faltas | |
| 3 | Figueirense4 pênaltis, 2 faltas | |
| 3 | Grêmio5 pênaltis, 1 falta | |
| 5 | Santos3 faltas, 2 pênaltis | |
| 5 | Vasco da Gama3 faltas, 2 pênaltis | |
| 7 | Bahia2 faltas, 2 pênaltis | |
| 7 | Fluminense2 faltas, 2 pênaltis | |
| 7 | Paraná3 faltas, 1 pênalti | |
| 7 | Ponte Preta3 pênaltis, 1 falta |
Brasileirão, Libertadores, Mundial: os palcos dos gols
O Campeonato Brasileiro concentra 65 dos 131 gols de Ceni, quase metade da produção total. Vêm a seguir o Paulistão, com 38, e a Copa Libertadores, com 14, marca que faz do goleiro o maior artilheiro brasileiro na história do torneio continental. Na Copa do Brasil, foram 4 gols, todos a partir de 2002, e na Copa Sul-Americana outros 2, incluindo um de falta contra o Bahia em Pituaçu pela vitória de 2-0 em 2012.
Um gol específico mudou a história da posição no mundo: o pênalti contra o Al-Ittihad na semifinal do Mundial de Clubes de 2005, disputada em 14 de dezembro no Olímpico de Tóquio. Ceni foi eleito o melhor jogador da competição dias depois, quando o São Paulo bateu o Liverpool na final. Ele segue como o único goleiro a balançar as redes em edições do torneio da FIFA. A lista se completa com 3 gols no Torneio Rio-São Paulo, 2 em amistosos oficiais do clube e 1 em cada na Copa dos Campeões e na Copa Mercosul.
Gols por competição
10 torneios, 1 marca histórica: único goleiro a marcar em Mundial de Clubes da FIFA. Legenda: P pênalti, F falta, BR bola rolando.
| Competição | Gols | Detalhe |
|---|---|---|
| Campeonato Brasileiro | 65 | 38P 26F 1BR |
| Campeonato Paulista | 38 | 20P 18F |
| Copa Libertadores | 14 | 8P 6F |
| Copa do Brasil | 4 | 2P 2F |
| Torneio Rio-São Paulo | 3 | 3F |
| Amistosos oficiais | 2 | 2F |
| Copa Sul-Americana | 2 | 1P 1F |
| Copa dos Campeões | 1 | 1F |
| Copa Mercosul | 1 | 1F |
| Mundial de Clubes FIFA | 1 | 1P |
| Total | 131 | 69P 61F 1BR |
Pênalti, falta ou bola rolando: como cada gol saiu
A divisão dos 131 gols é direta: 69 de pênalti, 61 de falta e 1 com a bola rolando. O primeiro pênalti da carreira saiu em 18 de abril de 1999, no empate por 4-4 contra o Palmeiras no Morumbi. A especialidade cresceu com o tempo. Entre 2010 e 2015, os pênaltis responderam por 34 dos 44 gols, 77% do total no período final da trajetória.
As faltas foram a marca registrada. A contagem oficial do clube registra 61 gols de falta, um dos números mais altos da história do futebol profissional, não só entre goleiros. A bola rolando é o dado que mais chama atenção pela escassez absoluta. Só 1 gol assim em 131, o mesmo do 20 de agosto de 2006 no Mineirão, saído numa sobra de contra-ataque aproveitada dentro da pequena área adversária. Aconteceu uma vez na carreira. Nunca mais.
Os 131 gols por tipo
Dois terços saíram em bola parada com o pé direito apontado para a barreira ou para a marca dos 11 metros.
Proporção do total de 131 gols em toda a carreira no São Paulo (1997 a 2015).

Júlio César Cardoso é brasileiro e reside em Florianópolis. Estudou ciências econômicas na Universidade Federal de Santa Catarina. Atua no ramo de jornalismo esportivo com foco em estatísticas desde 2012, tendo sido o criador do site Futdados.com. Desde 2020, teve passagens por Premier League Brasil, Trivela, Quinto Quarto, Esportelândia entre 2020 e 2024. Colaborou para diversas matérias jornalísticas dos sites GloboEsporte.com, UOL.com.br, ESPN.com.br, Jornal Extra e outros.




