Gabriel Martinelli – estatísticas, gols e assistências
Revelado no Ituano e firmado no Arsenal, Gabriel Martinelli chegou a 76 gols em 336 partidas como profissional, perto de um gol a cada quatro jogos e meio, ritmo que pouco mudou ao longo da carreira. O ponto fora da curva foi 2022/23, quando o atacante chegou a 15 gols numa só temporada, a maior colheita anual da carreira. Lidos por clube, por temporada e pela Seleção, esses números separam o que é volume do que é constância, num momento em que o Brasil já se prepara para a Copa do Mundo de 2026.
Indice
Do Ituano ao Arsenal, uma obra concentrada em Londres
O Arsenal concentra quase toda a obra profissional de Martinelli: 62 gols em 278 jogos desde a temporada 2019/20. O número o coloca como peça de longa data do elenco inglês, e não como passagem curta. Em sete temporadas, ele se firmou como presença fixa do ataque do clube.
A base veio do Ituano, primeiro clube profissional, com 10 gols em 34 partidas entre 2018 e 2019, antes da transferência ainda jovem para a Inglaterra. A divisão por ano mostra a aceleração no fim: 4 gols em 20 jogos em 2018 e 6 em apenas 14 partidas no ano seguinte, já às vésperas da ida para a Europa. Somados os dois clubes, são 72 gols em 312 jogos, a 0,23 por partida. O salto de divisão e de país não derrubou o aproveitamento: a marca por jogo no Arsenal, 0,22, ficou muito perto da que ele já registrava no futebol brasileiro.


Um aproveitamento que mal mudou do Brasil à Inglaterra
A média de gols de Martinelli é de 0,23 por jogo somando clubes e Seleção, ou um gol a cada 4,4 partidas. Olhando só os clubes, o índice é praticamente igual, 0,23, sinal de regularidade no lugar de oscilação ao longo dos anos.
A leitura por ambiente confirma a estabilidade. No Arsenal, a marca é de 0,22 gol por jogo ao longo de sete temporadas; no Ituano, num recorte bem menor de 34 jogos, ficou em 0,29. A diferença existe, mas vem de uma amostra curta e de um nível de competição diferente, o que pesa na conta.
Pela Seleção principal, a média cai para 0,17, abaixo do ritmo nos clubes. É o recorte em que ele aparece menos como finalizador e mais como peça de apoio ao ataque, com menos minutos acumulados do que tem no dia a dia do clube.
O pico de 2022/23 e o platô que veio depois
A evolução fica clara quando os gols saem separados por temporada no Arsenal. Na estreia inglesa, em 2019/20, foram 10 gols em 26 jogos, um começo forte. O ritmo despencou em 2020/21, com apenas dois gols em 22 partidas, a temporada mais fraca de finalização da fase.
A virada veio em 2022/23: 15 gols em 46 jogos, a melhor marca anual da carreira e mais que o dobro do ano anterior. Depois disso, a produção se acomodou num platô alto, com 8 gols em 2023/24, 10 em 2024/25 e 11 em 2025/26.
O número de jogos acompanhou a escalada de minutagem, de 22 partidas em 2020/21 para 53 em 2025/26. Em ritmo por jogo, porém, a temporada mais eficiente não foi a dos 15 gols: os 10 de 2019/20 saíram em apenas 26 partidas, a 0,38 por jogo, contra 0,33 no ano da maior colheita. A leitura combinada mostra um atacante que saiu de um início irregular para uma faixa constante de dois dígitos de gols por temporada nas últimas três campanhas.
Titular fixo do Arsenal, não peça de rodízio
A presença de Martinelli no Arsenal é, antes de tudo, de titular. Das partidas com escalação confirmada na carreira, 223 foram como titular e 97 começando no banco, proporção que o define como opção de primeira escolha, não de rodízio.
Os 97 jogos começando no banco completam o quadro: quase um terço das partidas com escalação confirmada veio com ele entrando no decorrer do jogo, sinal de um jogador usado tanto na escalação inicial quanto como peça de troca ao longo da partida.
Mesmo assim, a maioria das presenças é de início, e é essa regularidade de minutos que ajuda a explicar a média estável. A constância da titularidade sustenta a constância do gol, mais do que lampejos vindos do banco.
Coadjuvante de ataque na Seleção
Pela Seleção Brasileira principal, Martinelli soma 24 jogos e 4 gols, média de 0,17 por partida e oito presenças como titular. É o retrospecto de quem ganhou espaço no grupo, mas ainda divide a vaga no setor ofensivo.
Esses 24 jogos pela Amarelinha, nos anos de Arsenal, entram na série histórica do Brasil nas Copas. A tradição de um dos maiores campeões do Mundial não dispensa pontas como ele para variar o ataque em 2026.
Na Copa do Mundo de 2022 ele teve papel discreto; quatro anos depois, chega com muito mais rodagem no clube. Mesmo assim, os 4 gols pela seleção seguem distantes dos 72 em clubes, o retrato de quem soma mais minutos no dia a dia do que nas datas Fifa.
Retrospecto pela Seleção principal: 24 jogos, 4 gols, 0,17 por partida.

Júlio César Cardoso é brasileiro e reside em Florianópolis. Estudou ciências econômicas na Universidade Federal de Santa Catarina. Atua no ramo de jornalismo esportivo com foco em estatísticas desde 2012, tendo sido o criador do site Futdados.com. Desde 2020, teve passagens por Premier League Brasil, Trivela, Quinto Quarto, Esportelândia entre 2020 e 2024. Colaborou para diversas matérias jornalísticas dos sites GloboEsporte.com, UOL.com.br, ESPN.com.br, Jornal Extra e outros.




