Copa do Mundo 2022 – Tabela de classificação

A Copa do Mundo de 2022, realizada no Qatar entre 20 de novembro e 18 de dezembro, foi a 22ª edição do torneio e entrou para a história por uma série de razões que vão muito além do título da Argentina. Pela primeira vez o Mundial aconteceu no Oriente Médio, foi o último com 32 seleções antes da ampliação para 48 em 2026, e produziu o maior número de gols de toda a era de 32 times: 172 em 64 jogos, média de 2,69 por partida.

Classificação completa da Copa do Mundo 2022 no Qatar: fase de grupos, chaveamento eliminatório, pódio final e artilheiros

Argentina campeã pelo terceiro título, 36 anos depois

A Argentina de Lionel Messi venceu a França na final disputada no Estádio Lusail, em Lusail, diante de 88.966 espectadores. O placar foi 3 a 3 após a prorrogação, com a Argentina levando nos pênaltis por 4 a 2. Foi o terceiro título mundial da seleção albiceleste e o primeiro desde o México-86. O país voltou a ser campeão fora da Europa pela primeira vez desde o Brasil de 2002.

A final em si merece um parágrafo próprio: aos 80 minutos, a Argentina vencia 2 a 0 com gols de Messi e Ángel Di María. A França, inerte no primeiro tempo, acordou com as substituições de Deschamps. Kylian Mbappé converteu pênalti, marcou de novo dois minutos depois e empatou o jogo. Na prorrogação, Messi fez o 3 a 2 no segundo tempo adicional, Mbappé voltou a empatar de pênalti, e a Argentina fechou nos cobranças. Mbappé completou o hat-trick e tornou-se o segundo jogador da história a marcar três gols numa final de Copa, depois de Geoff Hurst em 1966.

Fase de grupos: Qatar eliminado em casa, Japão derrubando gigantes

O Qatar estreou com derrota por 2 a 0 para o Equador e tornou-se a primeira seleção anfitriã a perder a partida de abertura na história do torneio. A eliminação veio três dias depois, na derrota para Senegal por 3 a 1, fazendo do Qatar também o primeiro anfitrião a ser eliminado após apenas dois jogos. No fim, três derrotas em três jogos: o anfitrião encerrou a fase de grupos com apenas um gol marcado e sete sofridos.

O Japão foi o grande protagonista do Grupo E. Derrubou a Alemanha por 2 a 1 na primeira rodada, com dois gols no segundo tempo após estar perdendo, e depois repetiu o feito contra a Espanha, vencendo de virada por 2 a 1 com um gol de Ao Tanaka que entrou para a história por conta da revisão do VAR, confirmada apenas por uma foto aérea da Associated Press mostrando o centímetro de bola dentro da linha. A Alemanha caiu pelo segundo Mundial consecutivo ainda na fase de grupos.

A Argentina protagonizou a zebra mais comentada da fase: perdeu para a Arábia Saudita por 2 a 1, com gols de Saleh Al-Shehri e Salem Al-Dawsari no segundo tempo, mesmo tendo Messi aberto o placar de pênalti. O resultado foi considerado por muitos analistas como uma das maiores surpresas da história do torneio.

Mata-mata: Marrocos faz história, Brasil e Alemanha caem cedo

A fase eliminatória ficou marcada pela campanha histórica de Marrocos. A seleção africana eliminou a Espanha nas oitavas de final nos pênaltis, o Portugal nas quartas por 1 a 0 com gol de Youssef En-Nesyri, e chegou à semifinal, onde perdeu para a França por 2 a 0. Foi a primeira vez na história que uma seleção africana chegou a uma semifinal de Copa do Mundo. Marrocos encerrou o torneio no quarto lugar, depois de perder a disputa do terceiro lugar para a Croácia por 2 a 1.

O Brasil foi eliminado pela Croácia nas quartas de final nos pênaltis, após empate em 1 a 1 na prorrogação. Neymar marcou no tempo extra para a seleção brasileira, que levava a melhor no confronto, mas Bruno Petković empatou nos acréscimos da prorrogação. Na decisão por pênaltis, a Croácia venceu por 4 a 2. Portugal foi eliminado por Marrocos, sem que Cristiano Ronaldo voltasse ao time titular após ter sido substituído nas oitavas.

A Croácia, semifinalista em 2018, chegou novamente a esse estágio. Derrotou o Japão nas oitavas nos pênaltis e o Brasil nas quartas, também nos pênaltis. Na semifinal, levou 3 a 0 da Argentina com dois gols de Julián Álvarez. Terminou em terceiro lugar.

Números do torneio: recordes e estatísticas

DadoNúmero
Total de gols172
Média por jogo2,69
Jogos disputados64
Seleções participantes32 (de 5 confederações)
Público total3.404.252
Média por jogo53.191
Gols contra2
Estádios utilizados8 (em 5 cidades)

Os 172 gols estabeleceram o recorde absoluto de gols em uma Copa do Mundo no formato de 32 seleções, superando as edições anteriores. Todas as 32 seleções marcaram pelo menos um gol na competição. A edição também foi pioneira no uso de substituições por concussão: o goleiro iraniano Alireza Beiranvand foi o primeiro jogador substituído por esse protocolo na história do Mundial, ainda na estreia do Irã contra a Inglaterra.

Artilharia: Mbappé no topo, Messi logo atrás

PosiçãoJogadorSeleçãoGolsAssistências
1Kylian MbappéFrança82
2Lionel MessiArgentina73
3Julián ÁlvarezArgentina40
3Olivier GiroudFrança40
5RicharlisonBrasil30
5Enner ValenciaEquador30
5Marcus RashfordInglaterra30
5Bukayo SakaInglaterra30
5Cody GakpoHolanda30
5Gonçalo RamosPortugal30

Mbappé ganhou a Chuteira de Ouro com 8 gols e 2 assistências, o melhor desempenho individual de um jogador desde Ronaldo Fenômeno em 2002, que também marcou 8 gols. O francês tornou-se o segundo jogador a marcar em duas finais consecutivas de Copa do Mundo, igualando a façanha de Vavá, que havia feito isso nas edições de 1958 e 1962. Cristiano Ronaldo, ao marcar de pênalti contra Gana, tornou-se o primeiro homem a marcar em cinco Copas do Mundo diferentes. A Inglaterra chegou às quartas levando a artilharia de Rashford e Saka, mas caiu diante da França por 2 a 1.

Prêmios individuais

PrêmioVencedorSeleção
Bola de Ouro (melhor jogador)Lionel MessiArgentina
Bola de PrataKylian MbappéFrança
Bola de BronzeLuka ModricCroácia
Chuteira de Ouro (artilheiro)Kylian MbappéFrança
Chuteira de PrataLionel MessiArgentina
Chuteira de BronzeOlivier GiroudFrança
Luva de Ouro (melhor goleiro)Emiliano MartínezArgentina
Melhor jovem jogadorEnzo FernándezArgentina
Prêmio Fair PlayInglaterra

Messi ganhou sua segunda Bola de Ouro em Copas do Mundo, tornando-se o único jogador a conquistar esse prêmio duas vezes. A primeira havia sido em 2014, no Brasil, quando a Argentina foi vice-campeã. Emiliano Martínez foi decisivo nos pênaltis contra a Holanda nas quartas e contra a França na final, defletindo cobranças em momentos cruciais para o título.

Resultados completos da fase de grupos

GrupoPtsPtsPtsPts
AHolanda7Senegal6Equador4Qatar0
BInglaterra7EUA5Irã3Gales1
CArgentina6Polônia4México4A. Saudita3
DFrança6Austrália6Tunísia4Dinamarca1
EJapão6Espanha4Alemanha4Costa Rica3
FMarrocos7Croácia5Bélgica4Canadá0
GBrasil6Suíça6Camarões4Sérvia1
HPortugal6Coreia do Sul4Uruguai4Gana3

O torneio mais compacto desde 1930

A Copa de 2022 foi a mais compacta desde a inaugural edição uruguaia: 24 das 32 seleções ficaram hospedadas num raio de 10 quilômetros entre si na região da Grande Doha. Pela primeira vez desde 1930, os jogadores não precisaram tomar voos para se deslocar entre jogos. Os oito estádios ficaram distribuídos por cinco cidades: Al Khor, Lusail, Al Rayyan, Doha e Al Wakrah. O Lusail Stadium, palco da final, comportou 88.966 espectadores e foi o maior do torneio.

Por conta do calor extremo do verão qatari, o torneio foi o primeiro da história realizado em novembro e dezembro, fora das datas tradicionais de maio, junho e julho. A decisão gerou conflito com as ligas europeias, que precisaram interromper suas temporadas no meio para acomodar o calendário.

A arbitragem também entrou para a história: pela primeira vez em uma Copa do Mundo masculina, mulheres apitaram partidas na competição. A francesa Stéphanie Frappart tornou-se a primeira árbitro feminina a dirigir uma partida num Mundial masculino, no jogo entre Costa Rica e Alemanha, em 1 de dezembro.