Bélgica: estatísticas em Copas – desempenho geral e maiores artilheiros
A história da Bélgica nas Copas do Mundo começa no minuto inicial do próprio torneio: foram os belgas que disputaram, contra os Estados Unidos em 1930, a primeira partida de toda a competição, e coube ao árbitro belga John Langenus apitar aquela final inaugural. Quase um século depois, a seleção entra na 15.ª participação ainda à procura do título que nunca veio. O ponto mais alto continua sendo o 3.º lugar de 2018, na Rússia, com a geração dourada, acima do 4.º posto de 1986. No total, são 51 partidas e 69 gols.
Indice
Rússia 2018: o bronze da geração dourada
De Bruyne, Hazard, Lukaku, Courtois. A geração mais talentosa da história belga fez em 2018 a melhor campanha do país: 6 vitórias em 7 jogos, 16 gols marcados e apenas 6 sofridos. Nas oitavas, eliminou o Japão por 3 a 2 num jogo de virada. Nas quartas, bateu o Brasil por 2 a 1. A semifinal contra a França, futura campeã, terminou em derrota por 1 a 0.
Na decisão do 3.º lugar, a Bélgica venceu a Inglaterra por 2 a 0 em São Petersburgo, a mesma seleção que já havia batido por 1 a 0 na fase de grupos. Lukaku marcou 4 gols no torneio e Hazard, 3. O pódio coroou um elenco que vinha crescendo desde as quartas de final de 2014, quando caiu por 1 a 0 para a Argentina.
Wilmots e Lukaku: a dupla na artilharia
A artilharia histórica belga tem dois nomes dividindo a liderança com 5 gols cada. Marc Wilmots construiu os seus em duas Copas, com 2 gols em 1998 e 3 em 2002. Romelu Lukaku chegou ao mesmo número com 1 gol em 2014 e 4 em 2018, sem marcar no Catar 2022. Jan Ceulemans, símbolo dos anos 80, vem logo atrás com 4: três deles na campanha do 4.º lugar em 1986.
O pelotão dos 3 gols atravessa gerações: Léopold Anoul marcou todos os seus em 1954, edição do histórico 4 a 4 com a Inglaterra; Nico Claesen fez os seus em 1986; Enzo Scifo distribuiu entre 1986 e 1990; e Eden Hazard concentrou os 3 na campanha do bronze de 2018.
| 1 | Marc Wilmots | |
| 2 | Romelu Lukaku | |
| 3 | Jan Ceulemans | |
| 4 | Léopold Anoul | |
| 5 | Nico Claesen | |
| 6 | Enzo Scifo | |
| 7 | Eden Hazard |
Scifo e Ceulemans: no topo das presenças
Enzo Scifo lidera as presenças belgas com 17 partidas em 4 Copas, de 1986 a 1998. Junto com Franky van der Elst, que soma 14 jogos no mesmo intervalo, estabeleceu em 1998 o recorde belga de edições disputadas: 4 cada. Jan Ceulemans, capitão do time de 1986, vem em segundo com 16 partidas, e Thibaut Courtois é o nome da era recente na lista, com 15 jogos entre 2014 e 2022, mesmo ciclo em que Hazard e Vertonghen chegaram a 14.
| 1 | Enzo Scifo | |
| 2 | Jan Ceulemans | |
| 3 | Thibaut Courtois | |
| 4 | F. van der Elst | |
| 5 | Eden Hazard | |
| 6 | Jan Vertonghen |
1986: o 4.º lugar de Ceulemans e Pfaff
Antes de Hazard e De Bruyne, houve 1986. A Bélgica passou da fase de grupos no México como uma das melhores terceiras colocadas e cresceu no mata-mata: eliminou a União Soviética por 4 a 3 numa prorrogação épica nas oitavas e a Espanha nos pênaltis, após 1 a 1, nas quartas. Nas semifinais, a Argentina venceu por 2 a 0 com dois gols de Maradona. Na disputa do 3.º lugar, a França levou a melhor por 4 a 2 na prorrogação.
O capitão Jan Ceulemans, autor de 3 gols no torneio, e o goleiro Jean-Marie Pfaff foram as referências daquela equipe. Curiosamente, a campanha histórica veio depois de uma derrota na estreia para o México e ao lado de outro marco da década: na abertura da Copa de 1982, no Camp Nou, a Bélgica havia batido a Argentina campeã do mundo por 1 a 0, gol de Erwin Vandenbergh, numa de suas vitórias mais famosas.
Catar 2022: o fim do ciclo dourado
A geração dourada chegou ao Catar no limite. A campanha começou com vitória magra por 1 a 0 sobre o Canadá, seguida da derrota por 2 a 0 para o Marrocos e de um 0 a 0 contra a Croácia que selou a eliminação na fase de grupos. Apenas 1 gol marcado em 3 jogos. Foi a primeira queda na primeira fase desde 1998, encerrando uma sequência de quartas de final em 2014 e pódio em 2018.
O histórico belga, Copa a Copa
A história belga em Copas tem duas metades bem distintas. Nas cinco primeiras participações, entre 1930 e 1970, a equipe nunca passou da primeira fase e venceu um único jogo, o 3 a 0 sobre El Salvador em 1970. Da era de 1982 a 2002, com seis classificações seguidas, vieram cinco avanços de fase e o 4.º lugar de 1986. O balanço geral: 21 vitórias, 10 empates e 20 derrotas em 51 jogos, com 69 gols a favor, 74 contra e saldo negativo de 5.
| 1930 | 2 | Grupos |
| 1934 | 1 | Oitavas |
| 1938 | 1 | Oitavas |
| 1954 | 1 1 | Grupos |
| 1970 | 1 2 | Grupos |
| 1982 | 2 1 2 | 2.ª fase |
| 1986 | 2 2 3 | 4.º lugar |
| 1990 | 2 2 | Oitavas |
| 1994 | 2 2 | Oitavas |
| 1998 | 3 | Grupos |
| 2002 | 1 2 1 | Oitavas |
| 2014 | 4 1 | Quartas |
| 2018 | 6 1 | 3.º lugar |
| 2022 | 1 1 1 | Grupos |
Rumo a 2026: Grupo G entre veteranos e renovação
Invicta nas Eliminatórias, com 5 vitórias e 3 empates em 8 jogos e ataque de 29 gols, a Bélgica garantiu a 15.ª presença. Entre os 26 convocados, de média 27,6 anos, convivem os remanescentes da geração dourada, casos de Lukaku (126 jogos e 90 gols pela seleção), De Bruyne, Courtois e Witsel, e a nova onda de Jérémy Doku, Charles De Ketelaere e Leandro Trossard. O Grupo G reúne Egito, Irã e Nova Zelândia, com os três jogos na costa oeste da América do Norte: Seattle, Inglewood e Vancouver.

Júlio César Cardoso é brasileiro e reside em Florianópolis. Estudou ciências econômicas na Universidade Federal de Santa Catarina. Atua no ramo de jornalismo esportivo com foco em estatísticas desde 2012, tendo sido o criador do site Futdados.com. Desde 2020, teve passagens por Premier League Brasil, Trivela, Quinto Quarto, Esportelândia entre 2020 e 2024. Colaborou para diversas matérias jornalísticas dos sites GloboEsporte.com, UOL.com.br, ESPN.com.br, Jornal Extra e outros.




