Pedro: números, estatísticas e trajetória com Flamengo e seleção brasileira
Duzentos e dois gols por clubes, e 171 saíram da mesma camisa. Pedro chegou a 336 jogos pelo Flamengo com 171 gols e 41 assistências, volume que sustenta uma carreira profissional de 439 partidas e 203 gols. Do outro lado da conta está a seleção brasileira: 6 jogos e 1 gol. Entre esses dois extremos cabem duas Libertadores, dois Brasileiros e a marca de 12 gols numa única edição do torneio continental, número que tirou Zico e Gabigol do topo da lista rubro-negra. Aos 29 anos, com 283 partidas disputadas como titular, o centroavante atravessa a temporada de melhor média desde 2024: 21 gols em 34 jogos.
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171 gols em 336 jogos: o Flamengo responde por 84,7% da produção de Pedro
A distribuição por clube não admite meio-termo. Dos 202 gols que Pedro marcou por clubes em 433 jogos, 171 vieram pelo Flamengo, em 336 partidas e sete temporadas seguidas: média de 0,51 gol por jogo, a melhor de qualquer período da carreira. No Fluminense foram 31 gols em 93 jogos, 0,33 por partida, quatro temporadas que terminaram com a venda para a Itália. A passagem pela Fiorentina rendeu 4 jogos e nenhum gol, recorte curto demais para produzir dado relevante. Somadas as 45 assistências, 41 delas no Maracanã, o atacante acumula 247 participações diretas em gols por clubes.
O peso rubro-negro fica mais claro nos recortes internacionais. Pedro é o segundo maior artilheiro da história do Flamengo na Libertadores e o maior do clube em Mundiais de Clubes. Também foi o segundo jogador rubro-negro a marcar em todas as competições de primeiro nível que disputou pelo clube, do Carioca ao torneio da FIFA. No Fluminense, a marca que sobrevive é outra: aos 20 anos, tornou-se o artilheiro mais jovem do Campeonato Carioca pelo clube na era moderna.
De 4 jogos em 2016 a 35 gols em 2023: a curva temporada a temporada
O início foi lento. Foram 4 jogos e nenhum gol na primeira temporada como profissional, 7 gols em 35 partidas na seguinte e só então o salto: 19 gols em 40 jogos em 2018, ano em que ficou com a artilharia do Campeonato Carioca aos 20 anos e foi eleito a revelação do Brasileiro pelos capitães, técnicos e jornalistas da competição. Uma cirurgia interrompeu a sequência e o tirou dos gramados por oito meses. Voltou em 2019 para marcar 5 gols em 14 jogos antes de se transferir para a Itália, onde somou 4 partidas.
No Flamengo a curva é outra: 23 gols em 54 jogos na estreia, 18 em 46, 29 em 59, e o pico de 35 em 61 partidas em 2023. A temporada mais eficiente veio logo depois, com 30 gols em 43 jogos (0,70 por partida), interrompida por uma ruptura do ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo sofrida em treino da seleção brasileira. O atacante perdeu 21 jogos do clube e ainda assim terminou o ano como segundo maior goleador do futebol brasileiro. Em 2025, a recuperação custou volume: 15 gols em 39 jogos, num ano em que De Arrascaeta assumiu a artilharia do time e levou a Bola de Ouro do Brasileiro. A temporada atual devolveu o rendimento: 21 gols em 34 partidas, com 5 assistências.
Quinze títulos no Flamengo e o recorde de 12 gols numa Libertadores
A prateleira rubro-negra de Pedro tem 15 taças: duas Libertadores, dois Campeonatos Brasileiros, duas Copas do Brasil, três Supercopas do Brasil, cinco Campeonatos Cariocas e uma Recopa Sul-Americana. Os dois ciclos mais fartos foram o de estreia, com Recopa, Carioca, Supercopa e Brasileiro no mesmo ano, e o de 2025, quando o clube venceu Supercopa, Carioca, Libertadores e Brasileiro numa única temporada. Pelo Fluminense, o único título profissional foi a Primeira Liga, conquistada logo no ano de estreia entre os profissionais.
Nos prêmios individuais, o pico foi 2022: melhor jogador e artilheiro da Libertadores com 12 gols, marca que superou os 11 de Zico em 1981 e de Gabigol em 2021, além do triplete sobre o Vélez Sarsfield na semifinal, feito que só Pelé havia registrado entre brasileiros num mata-mata do torneio. No mesmo ciclo veio a artilharia do Mundial de Clubes com 4 gols, seguida do título de Rei da América. Depois disso, somou as artilharias da Copa do Brasil de 2023 e dos Cariocas de 2024 e 2026, o prêmio de gol mais bonito do Brasileiro de 2025 e uma vaga na seleção daquela edição.
Seleção brasileira: 6 jogos e 1 gol para quem soma 202 por clubes
A assimetria entre clube e seleção é o dado mais duro da carreira. São 6 jogos e 1 gol pela equipe principal, média de 0,17 por partida, contra os 0,47 registrados por clubes. A primeira convocação chegou ainda no Fluminense, logo depois do Mundial de 2018, mas uma lesão o tirou da lista antes que entrasse em campo. A estreia só veio em 2020, pelas Eliminatórias, e o único gol saiu dois anos mais tarde, num amistoso preparatório vencido por 5 a 1 sobre a Tunísia.
Na Copa do Mundo de 2022 foram duas partidas. A primeira como titular, na derrota por 1 a 0 para Camarões com o Brasil já classificado, e a segunda na eliminação diante da Croácia nas quartas de final, quando entrou no segundo tempo, ficou 36 minutos em campo e converteu a cobrança que lhe coube na disputa por pênaltis. Desde então as convocações rarearam, e a conta pela equipe principal continua parada em 6 jogos, mesmo com a produção do camisa 9 no clube seguindo em patamar de artilheiro nacional.

Júlio César Cardoso é brasileiro e reside em Florianópolis. Estudou ciências econômicas na Universidade Federal de Santa Catarina. Atua no ramo de jornalismo esportivo com foco em estatísticas desde 2012, tendo sido o criador do site Futdados.com. Desde 2020, teve passagens por Premier League Brasil, Trivela, Quinto Quarto, Esportelândia entre 2020 e 2024. Colaborou para diversas matérias jornalísticas dos sites GloboEsporte.com, UOL.com.br, ESPN.com.br, Jornal Extra e outros.




