Itália: estatísticas em Copas – desempenho geral e maiores artilheiros
A Itália ganhou 4 Copas do Mundo: 1934, 1938, 1982 e 2006. São 14 participações, 83 partidas e 128 gols marcados. Entre os maiores campeões da Copa do Mundo, a Itália divide o 2.º lugar com a Alemanha. A exclusão das Copas de 2018 e 2026 — eliminada em repescagens europeias nas duas ocasiões — é a maior crise do futebol italiano moderno.

Indice
- 1 Os 4 títulos: de Mussolini ao pênalti de Grosso
- 2 Baggio, Vieri e Rossi: os três maiores artilheiros
- 3 1982: Rossi ressuscitado e o título na Espanha
- 4 2006: título depois do Calciopoli
- 5 Retrospecto completo
- 6 2018 e 2026: as duas ausências históricas
- 7 Paolo Maldini: 23 partidas, o símbolo da defesa italiana
Os 4 títulos: de Mussolini ao pênalti de Grosso
| Ano | Sede | Final | Artilheiro italiano |
|---|---|---|---|
| 1934 | Itália | 2-1 (pról.) x Tchecoslováquia | A. Schiavio (4 gols) |
| 1938 | França | 4-2 x Hungria | S. Piola (5 gols) |
| 1982 | Espanha | 3-1 x Alemanha | P. Rossi (6 gols) |
| 2006 | Alemanha | 1-1 pen. x França | L. Del Piero / L. Toni (2 gols cada) |
Baggio, Vieri e Rossi: os três maiores artilheiros
Roberto Baggio (9 gols em 3 Copas), Christian Vieri (9 gols) e Paolo Rossi (9 gols) lideram empatados o ranking histórico. Baggio ficou famoso pelo pênalti perdido na final de 1994 — apesar de ter sido o responsável pela classificação italiana em vários jogos decisivos daquele torneio.
| Pos. | Jogador | Gols | Copas |
|---|---|---|---|
| 1 | R. Baggio | 9 | 1990, 1994, 1998 |
| 1 | C. Vieri | 9 | 1994, 1998, 2002 |
| 1 | P. Rossi | 9 | 1978, 1982 |
| 4 | A. Schillaci | 6 | 1990 |
| 5 | G. Meazza | 5 | 1934, 1938 |
1982: Rossi ressuscitado e o título na Espanha
Paolo Rossi voltou de 2 anos de suspensão por escândalo de manipulação de resultados. Os três primeiros jogos do grupo: zero gols, três empates. A imprensa italiana pedia a volta de Rossi para a reserva. Então veio o Brasil na segunda fase — hat-trick. Depois a Polônia — 2 gols. Depois a Alemanha na final — 1 gol. Rossi ganhou a Bola de Ouro, a Bota de Ouro e o troféu. A maior virada na narrativa de uma Copa.

2006: título depois do Calciopoli
A Juventus acabara de ser rebaixada por manipulação de resultados, com outros clubes italianos envolvidos. A seleção foi à Copa e ganhou. Buffon eleito melhor goleiro. Cannavaro ganhou a Bola de Ouro. Zidane perdeu a cabeça na final. Grosso converteu o pênalti decisivo. A Copa que o futebol italiano mais precisa lembrar nos tempos de crise.

Retrospecto completo
| Ano | PJ | V | E | D | GF | GC | Resultado |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 1934 | 5 | 4 | 1 | 0 | 12 | 3 | Campeã |
| 1938 | 4 | 4 | 0 | 0 | 11 | 5 | Campeã |
| 1970 | 6 | 3 | 1 | 1 | 10 | 8 | 2.º lugar |
| 1982 | 7 | 5 | 1 | 1 | 12 | 6 | Campeã |
| 1990 | 7 | 5 | 3 | 0 | 10 | 4 | 3.º lugar |
| 1994 | 7 | 3 | 3 | 1 | 8 | 5 | 2.º lugar |
| 2002 | 4 | 3 | 0 | 1 | 7 | 4 | Oitavas |
| 2006 | 7 | 5 | 2 | 0 | 12 | 4 | Campeã |
2018 e 2026: as duas ausências históricas
A Itália ficou fora da Copa de 2018 — primeira ausência desde 1958. O choque foi enorme. Em 2021 ganhou a Eurocopa. Em 2022 voltou a ser eliminada na repescagem, desta vez pela Macedônia do Norte. A Copa de 2026 será a segunda consecutiva sem os Azzurri. Mancini, Spalletti e a renovação geracional tentam reconstruir o que foi destruído nos últimos dez anos.
Paolo Maldini: 23 partidas, o símbolo da defesa italiana
Paolo Maldini disputou 5 Copas e jogou 23 partidas — mais do que qualquer outro italiano. Estreou em 1990 com 21 anos e jogou a última em 2002 com 33. Em 1990, na Copa disputada em casa, foi o melhor lateral-esquerdo do torneio numa seleção que chegou ao 3.º lugar. Nunca ganhou uma Copa do Mundo — a mais próxima foi 1994, quando a Itália perdeu a final para o Brasil nos pênaltis e Baggio perdeu o decisivo. Maldini foi o último a defender antes de Baggio chutar para o céu de Pasadena.
A presença de Maldini em 5 Copas representa a continuidade que o futebol italiano soube construir na defesa. De Bergomi a Costacurta, de Baresi a Cannavaro — a seleção italiana sempre teve um defensor central ou lateral de referência europeia. Cannavaro ganhou a Bola de Ouro em 2006 como defensor — o único que não era avançado ou médio a ganhar o prémio na era moderna.


Júlio César Cardoso é brasileiro e reside em Florianópolis. Estudou ciências econômicas na Universidade Federal de Santa Catarina. Atua no ramo de jornalismo esportivo com foco em estatísticas desde 2012, tendo sido o criador do site Futdados.com. Desde 2020, teve passagens por Premier League Brasil, Trivela, Quinto Quarto, Esportelândia entre 2020 e 2024. Colaborou para diversas matérias jornalísticas dos sites GloboEsporte.com, UOL.com.br, ESPN.com.br, Jornal Extra e outros.




